Em CPI, Galípolo nega conversa com Moraes sobre Master: “Magnitsky”
Presidente do Banco Central negou ter tratado de Banco Master com o ministro do STF e disse ter conversado sobre a Lei Magnitsky
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse, nesta quarta-feira (8/4), que se reuniu com o ministro Alexandre de Moraes ou com outros integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) para tratar das implicações da Lei Magnitsky, sanção imposta pelos EUA aos magistrados, com a “maior cordialidade”.
Em participação na CPI do Crime Organizado, no Senado, Galípolo negou ter tratado com Moraes sobre a liquidação do Banco Master e a situação do banqueiro Daniel Vorcaro.
“O ministro Alexandre — ou qualquer outro ministro do Supremo — sempre teve uma relação da mais cordial comigo. Eu sei que, muitas vezes, há ilações, mas a relação é a mais cordial”, ressaltou.
Segundo ele, essa foi a maior crise do ano de 2025; por isso, foram necessárias diversas reuniões com os ministros.
“De todas as crises que a gente teve ao longo de 2025, talvez a mais complexa, do ponto de vista sistêmico, foi a reunião relativa à Magnitsky. Existiam informações que vinham a público e você tinha um bombardeio na internet, que, inclusive, geravam ameaça sobre a solvência de grandes instituições”, alegou.
Galípolo relatou que, desde então, passou a ter uma série de encontros com os ministros do STF para tratar do tema.
“Essas reuniões tinham dois tipos de cuidados que precisam ser tomados: de um lado, a publicidade sobre a reunião ensejando qualquer tipo de ilação que pudesse se reverter em risco financeiro”, disse.
“De outro lado, cada um desses ministros que estavam envolvidos na Magnitsky tinham discussões que envolviam a privacidade dos sigilos bancário e financeiro, da qual eu tenho a obrigação de zelar e não dar publicidade sobre isso. E reforço a questão da cordialidade: era um momento muito difícil para todos que estavam ali”, acrescentou o presidente do BC.
Ele também confirmou que, em 4 de dezembro, foi convocado para uma reunião no Palácio do Planalto com o banqueiro Daniel Vorcaro.
“Os acionistas do Master relatavam sempre uma história de que eles estavam sendo perseguidos pelo mercado financeiro e que a dificuldade deles de fazer captação era essa perseguição em função da concorrência que eles estavam entrando – algo que não era muito aderente, dado ao tamanho do banco”, disse.
Ele afirmou que encaminhou os acionistas aos técnicos da área no Banco Central. Participaram da reunião: Daniel Vorcaro; Augusto Lima, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB); o ministro Rui Costa; e o ex-ministro Guido Mantega.
Lei Magnitsky
O nome de Alexandre de Moraes passou cinco meses na lista da Magnitsky. Ele havia sido sancionado pela gestão Donald Trump sob a acusação de que teria cometido graves abusos contra os direitos humanos, além de, segundo o governo norte-americano, ter usado o cargo para autorizar detenções arbitrárias e suprimir a liberdade de expressão.
À época da reunião com Moraes, Galípolo descreveu as sanções como “inusitadas”, mas assegurou que não havia riscos ao sistema financeiro brasileiro.
CPI do Crime
O presidente do Banco Central compareceu à sessão de quarta-feira (8/4) na CPI do Crime. Ele deve prestar esclarecimentos sobre a suposta fraude financeira do Banco Master.
Diferentemente de outros alvos da CPI, Galípolo foi chamado na condição de convidado, ou seja, com presença facultativa.
O antecessor dele, Roberto Campos Neto, foi convocado pelos senadores, mas não compareceu.
A CPI busca entender a atuação de servidores do Banco Central e possíveis ligações de funcionários do sistema financeiro com esquemas de lavagem de dinheiro e fraudes relacionadas ao Banco Master.
Fonte: metropoles.com/Luana Patriolino