Corte de 25% nos contratos do governo de MS ocorre em meio à queda histórica na importação de gás natural

(Foto: Saul Schramm/Secom)

O governo de Mato Grosso do Sul começou o ano arrochando as finanças e determinando corte de 25% nos contratos, como forma de equilibrar o orçamento, mesmo em ano eleitoral. O que pode estar por trás da preocupação de Eduardo Riedel (PP) é a queda na arrecadação de ICMS a partir da importação do gás natural boliviano.

Dados da balança comercial de Mato Grosso do Sul, compilados pela Semadesc (Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), mostram que nos últimos caiu drasticamente a importação de gás natural vinda da Bolívia. Em 2016 foram importadas 8 milhões de toneladas do combustível, montante que despencou para apenas 2,8 milhões de toneladas em 2025.

Neste mesmo período a participação do gás nas importações estaduais que chegaram a 54,9% em 2025, passaram para 29,7% em 2025, o menor percentual no período. Em 2025, os dados mostram que a importação de gás natural caiu 30,4% em relação a 2024.

Menos gás vindo da Bolívia significa queda na arrecadação de ICMS e a tendência de queda continua. Reportagem do Campo Grande News mostrou que só em janeiro de 2026, a arrecadação de ICMS com o gás caiu 43% em relação ao mesmo período do ano anterior. Na prática foram R$ 65 milhões que deixaram de entrar nos cofres estaduais.

Futuro dramático para o gás

A empresa de consultoria Wood Mackenzie, especializada em energia, mineração e commodities, alerta desde 2023 que a importação de gás boliviano caminha para o fim. Segundo eles, a produção na Bolívia vem caindo constantemente desde 2015, com um leve aumento em 2021 e o país pode chegar a ter que importar gás.

A consultoria atribui a situação a poucas novas descobertas e pouca oferta restante em campos maduros. “A produção começará a declinar em um ritmo muito mais acelerado. Atualmente, a demanda interna consome cerca de 30% da oferta total. Até 2030, a demanda interna provavelmente ultrapassará essa oferta e poderemos ver a Bolívia se tornar importadora”, disse em 2023.

O cenário deve impactar as finanças do Governo do Estado, mas não o fornecimento, principalmente porque o Brasil já produz gás natural para suprir a demanda interna e ainda tem a Argentina, que também é produtora. Sendo assim, o principal impactado é mesmo o Governo de Mato Grosso do Sul.

Fonte: ojacare.com.br/By Priscilla Peres

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