Copom se reúne nesta terça para decidir Selic; mercado se divide sobre corte de juros
Copom anuncia decisão sobre a nova taxa de juros nesta quarta-feira (18): expectativa de reduçãoDivulgação/Banco Central
Analistas divergem sobre intensidade da redução dos juros, com projeções de corte entre 0,25 e 0,5 ponto percentual
O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central inicia nesta terça-feira (17) a reunião para definir a nova taxa básica de juros da economia brasileira. Analistas do mercado financeiro esperam o início do ciclo de cortes da Selic, atualmente em 15% ao ano, mas divergem sobre a intensidade da redução, que pode ser de 0,25 ou 0,5 ponto percentual. O resultado será divulgado na quarta-feira (18).
No encontro anterior, em janeiro, o comitê manteve a taxa no atual patamar — o mais elevado desde 2006 — pela quinta vez consecutiva, após interromper em julho o ciclo de sete altas consecutivas iniciado em setembro de 2024.
A nova taxa valerá ao menos pelos próximos 45 dias, quando os diretores do BC voltam a se reunir para discutir novamente a conjuntura econômica nacional.
Na última ata, o Copom informou que a estratégia usada estava sendo “adequada”, porém era esperado que se iniciasse, na próxima reunião, a flexibilização da política monetária, mas garantindo uma “restrição adequada”.
Segundo o comitê, seria mantido o patamar “juros em níveis restritivos“, até que se consolidasse não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas à meta, dada a resiliência de fatores que pressionam preços tanto correntes quanto esperados, em especial do dinamismo ainda observado no mercado de trabalho”.
A decisão em manter a taxa se dá, principalmente, pelo ambiente externo incerto, sobretudo em razão da conjuntura econômica e da política adotada pelos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Segundo a autoridade monetária, esse cenário, somado às tensões geopolíticas, exige maior cautela por parte dos países emergentes.
Expectativa do mercado
O mercado financeiro está dividido sobre o tamanho do corte que poderá ser anunciado pelo Copom nesta semana. Parte dos analistas aposta em uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic, enquanto outros ainda veem espaço para um corte maior, de 0,5 ponto percentual.
Segundo projeções do boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, a expectativa predominante é de uma redução mais moderada, o que levaria a taxa dos atuais 15% para 14,75% ao ano. A cautela reflete o cenário externo incerto e a alta recente das expectativas de inflação.
O que é a Selic?
A Selic representa o principal instrumento de controle do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Taxas elevadas encarecem o crédito, limitam o consumo e a produção e podem desacelerar o crescimento econômico.
Na prática, elevações na Selic aumentam os juros aplicados a financiamentos, empréstimos e cartões de crédito, desestimulando a demanda e contribuindo para a contenção da inflação.
Maior nível em 20 anos
Entre agosto de 2022 e junho de 2023, a Selic permaneceu em 13,75% ao ano. Em seguida, ocorreram seis cortes consecutivos de 0,5 ponto percentual e outro de 0,25, reduzindo a taxa para 10,5% em maio de 2024.
Esse patamar vigorou até setembro do mesmo ano, quando o Copom iniciou uma nova série de elevações, levando os juros para 10,75%. Desde então, houve sete aumentos sucessivos, até atingir os atuais 15% — o nível mais elevado desde 2006.
Fonte: noticias.r7.com/Economia|Clarissa Lemgruber, do R7, em Brasília