Análise: Voos particulares viram novo desgaste do STF

Matheus Teixeira comenta revelações sobre viagens de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques em aviões privados, que trazem o Supremo de volta ao centro da crise institucional

As revelações de que ministros do Supremo Tribunal Federal fizeram viagens em voos particulares se tornaram mais um foco de desgaste para a Corte. Após um breve período de arrefecimento nas notícias negativas, o STF volta ao centro da crise institucional.

De acordo com informações confirmadas pela CNN Brasil e outros veículos de imprensa como Folha de São Paulo e Estado de São Paulo, ao menos três ministros teriam utilizado aviões privados. Entre eles estão Alexandre de Moraes – que teria voado em aeronaves de uma empresa ligada ao Banco Master -, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques.

No caso do ministro Alexandre de Moraes, as informações indicam que ele teria utilizado aviões particulares de uma empresa vinculada ao Banco Master. “O ministro diz que são ‘ilações inverídicas’, mas também não apresenta um detalhamento de onde ele estaria naquele dia ou do motivo de o nome dele aparecer em registros de entradas no aeroporto particular de Brasília”, comentou Matheus Teixeira durante o CNN 360º desta segunda-feira (6).

Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, confirmon por meio de nota que contrata empresas de voos particulares e que uma delas era a empresa de Daniel Vorcaro, mas negou qualquer tipo de conflito de interesse.

Já o ministro Kassio Nunes Marques teria andado em um avião de um advogado que representou Cláudio Castro (PL) no TRE do Rio de Janeiro. Posteriormente, o ministro votou a favor do ex-governador do Rio de Janeiro no TSE.

Nunes Marques afirmou que declarou suspeição por ser amigo particular do advogado, negando conflito de interesse. “É de fato um advogado respeitado em Brasília e que atua muito no TSE, mas é impossível não vir ao noticiário esse tipo de informação”, afirmou Teixeira.

“É inevitável que essas informações prejudique a imagem do Supremo e não consiga com que os ministros façam a tentativa de tirar o STF do centro da crise”, acrescentou o analista. Antes das revelações, o Supremo havia tomado medidas para tentar recuperar sua imagem institucional. Entre as iniciativas estavam decisões sobre penduricalhos, sobre aposentadoria integral de ministros e outras medidas que visavam preservar a institucionalidade da Corte.

O caso traz novamente o STF para o centro das atenções após um período em que a Corte tentava se afastar do noticiário negativo gerado pelas revelações anteriores sobre relações de ministros com o Banco Master, cujo dono está preso.

“Estamos falando dos 10 juízes mais importantes do país, eles quem dão as palavras finais sobre todos os processos do Brasil. E portanto, como diz a mulher de César, tem que parecer honesto também, não apenas ser. Esses voos levantam dúvidas e trazem o Supremo novamente para o centro da crise”, conclui Teixeira.

Fonte: cnnbrasil.com.br/Da CNN Brasil

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