Adriane prorroga arrocho enquanto turbina próprio salário e de secretários em até 66%

Adriane Lopes corta gastos de custeio, mas não corta na carne de seu 1º escalão. (Foto: Izaias Medeiros/CMCG)

A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), prorrogou até 30 junho deste ano o decreto de corte de gastos do município. Enquanto corta na carne com uma mão, a chefe do Paço Municipal garante, com a outra, que seus secretários tenham ganhos de até 41% nos salários, além do próprio reajuste de até 66% na base dos subsídios, que tiveram o acréscimo de nova fatia no último mês de fevereiro.

Por outro lado, conforme decreto publicado em edição extra do Diogrande de sexta-feira (27), os órgãos e entidades da administração direta e indireta da prefeitura deverão, imediatamente, cortar em pelo menos 25% o consumo de água, energia elétrica, impressão, combustíveis e prestação de serviços terceirizados.

As medidas de contingenciamento também atingem o pagamento de vantagem financeira ou diferença de vencimentos ou gratificação na designação de substitutos de titulares de cargo em comissão; a ampliação de carga horária de professores e admissão de convocados; e nomeação de novos servidores efetivos no Executivo.

Também está vedada a contratação por prazo determinado com verba do tesouro municipal; movimentação de servidores com pagamento de vantagens financeiras; a admissão de estagiários ou menores em estágio profissional; e o pagamento de gratificação pelo trabalho em local de difícil acesso ou adicional por trabalho em período noturno.

A determinação de Adriane Lopes para reduzir o gasto com pessoal e redução de 25% no custeio teve início em março de 2025. O contingenciamento vem sendo prorrogado desde então a cada novo vencimento do decreto. 

O arrocho fiscal, todavia, acaba sendo relativo quando Adriane, logo depois do primeiro decreto, garantiu ao primeiro escalão, a vice-prefeita Camilla Nascimento de Oliveira (Avante) e a si própria o reajuste salarial de até 66%, de forma escalonada a partir de abril do ano passado.

A segunda parcela entrou em vigor no começo do último mês de fevereiro, quando o salário da prefeita passou para R$ 31.912,56. Em 2027 este valor sobe para R$ 35.462,22. 

Além disso, em meio a crise financeira e o maior aumento do IPTU na história de Campo Grande, Adriane Lopes elevou em até 41% o salário pago aos secretários municipais. A maior beneficiada é a concunhada da prefeita e chefe da Casa Civil, Thelma Fernandes Mendes Nogueira Lopes, que teve o total de créditos, considerando-se subsídio e penduricalhos públicos, saltando de R$ 23,5 mil, em janeiro de 2025, para R$ 33,3 mil no mês passado.

O aumento nos salários do primeiro escalão ocorreu apesar do contingenciamento adotado em novembro do ano passado, que reduziu o subsídio em 20%. Apenas a gratificação paga por fora aos secretários, que virou o escândalo da folha secreta na campanha eleitoral de 2024, teve correção de 47%.

Em meio a buraqueira nas ruas, falta de leitos nos hospitais e remédios nos postos de saúde, obras paradas e escândalos de corrupção, Adriane aumentou o IPTU e a taxa do lixo em até 396%.

Ao contemplar os titulares das secretarias com aumento expressivo, Adriane deixa claro que oferece o céu aos amigos e o castigo e sacrifício ao povo de Campo Grande. A austeridade não é estendida à equipe.

Fonte: ojacare.com.br/By Richelieu de Carlo

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