5 de novembro de 2026
Geral

Fiesp critica manutenção da Selic em 13,75% e cobra redução

Decisão do Copom encerra o ciclo de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual/Fiesp (NILTON FUKUDA)Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou, nesta quarta-feira (4), a decisão do Banco Central de manter a Selic em 13,75% ao ano. Em nota, a entidade diz que a decisão do Copom é um “aperto monetário desmedido”, que coloca a taxa básica em um patamar aproximadamente de três vezes a inflação corrente.

Nota foi enviada após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidir, também nesta quarta-feira (4), manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano. A decisão encerra o ciclo de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual.

Segundo a Fiesp, o crédito bancário ao setor produtivo e empreendedores na casa dos 30% ao ano dificulta investimentos, e facilita o endividamento recorde das famílias e empresas a cada mês. “É urgente readequar as políticas monetária e fiscal para trazer a Selic a níveis toleráveis e devolver a competitividade à economia brasileira”, completou.

Decisão do Copom

Em comunicado, o comitê explicou que a medida de manter inalterada a taxa de juros é “compatível com a estratégia de convergência da inflação ao redor da meta”.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para levar a inflação para a meta de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para baixo ou para cima.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está anualizado em 4,58%, acima do intervalo de tolerância.

O grupo afirmou, no comunicado, que os riscos para a inflação, seja de alta ou queda, estão “mais elevados que o usual”. No entanto, destacou a tendência de aumento dos preços.

O Boletim Focus, divulgado na terça-feira (3), mostrou que o mercado financeiro espera que, em 2026, o IPCA termine a 5,22%, acima da meta. Para 2027, a projeção é de que o índice encerre no intervalo de tolerância a 4,76%.

Também no comunicado, o comitê destacou que o cenário externo e doméstico de “incertezas” exige uma “postura de cautela”. De acordo com o grupo, o ambiente internacional está mais “adverso” em razão do prolongamento dos conflitos no Oriente Médio e o consequente impacto sobre o preço do petróleo e derivados, além da política monetária “mais restritiva” das maiores economias.

Confira nota da Fiesp

A decisão do Banco Central de manter a Selic em 13,75% ao ano insiste em um aperto monetário desmedido, que coloca a taxa básica em um patamar aproximadamente de três vezes a inflação corrente. Na prática, a autoridade monetária pune quem produz e consome. O crédito bancário tomado pelo setor produtivo e empreendedores na casa dos 30% ao ano
inviabiliza investimentos, e o endividamento recorde das famílias e empresas se agrava a cada mês. Para as contas públicas, a fatura custa mais de R$ 1 trilhão por ano apenas no pagamento de juros da dívida. É urgente readequar as políticas monetária e fiscal para trazer a Selic a níveis toleráveis e devolver a competitividade à economia brasileira.

Paulo Skaf – Presidente

Fonte: jovempan.com.br/Jovem Pan


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