Negócio de R$ 1,1 bi, venda do Consórcio Guaicurus esconde preço, investimentos e sócios
Prefeita da Capital transformou venda de Consórcio Guaicurus, concessão pública, em caixa preta (Foto: Arquivo)
A venda do Consórcio Guaicurus, formado por quatro empresas de ônibus controladas pela família Constantino, transformou-se nova caixa preta da gestão Adriane Lopes (PP), que esconde da população os valores envolvidos na negociação, apesar de se tratar de concessão pública. O negócio envolve faturamento de R$ 1,1 bilhão até 2032, quando termina o atual contrato, e terá impacto direto na população de Campo Grande, castigada pelo serviço atual, que é caro e péssimo.
A Maas Administração e Participações, criada pela holding goiana HP Mobilidade, esconde os sócios. No requerimento para obter a autorização do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a empresa solicitou e obteve aval para esconder os novos sócios no empreendimento.
O advogado Oswaldo Meza suspeita que a família Constantino, que estaria fora do sistema com a venda do Consórcio Guaicurus pela primeira vez em décadas, pode estar por trás dos novos sócios, que tiveram os nomes escondidos pelo CADE. Ele defende que a sociedade tem o direito de saber quem poderão ser os novos donos do transporte coletivo em Campo Grande.

“A autorização do CADE não pode servir de escudo para esconder informações da população! É inadmissível que uma negociação envolvendo o transporte coletivo de Campo Grande siga sob sigilo”, alarmou-se o vereador Maicon Nogueira (PP), que elaborou um relatório paralelo da CPI do Transporte Coletivo da Câmara Municipal para defender a intervenção.
“Quem compra, por quanto compra e quais são as condições dessa operação precisam ser esclarecidos. O povo não pode ficar de fora de uma negociação que impacta diretamente sua vida. Sigilo não pode se sobrepor ao interesse público”, destacou Nogueira. Ele é autor de requerimento aprovado pela Câmara Municipal para cobrar as informações da prefeita Adriane Lopes.
Negócio da China, obscuro e escuso
Presidente da CPI do Transporte Coletivo, o vereador Lívio Leite, o Dr. Lívio (União Brasil), também considera estranho os segredos envolvendo a negociação do Consórcio Guaicurus, que está sob intervenção da prefeitura desde 16 de junho deste ano. “Estranho como muita coisa na prefeitura”, reforçou.
“É estranho não, é um absurdo! Na CPI eu fui em cima justamente de abrir a caixa preta do transporte. Sendo uma concessão de serviço público essencial, a população tem o direito absoluto de saber quanto a HP Mobilidade pagou e, principalmente, qual o montante real que vão investir para melhorar os ônibus”, cobrou a vereadora Ana Portela (PL), que foi a relatora da CPI.
A concessão do transporte coletivo é pública. No entanto, o mais interessado no negócio, o público não tem acesso a nenhuma informação. Em uma gestão marcada pela falta de transparência, Adriane não divulga informações sobre o negócio.
“Esconder isso com a desculpa de ‘segredo comercial’ é inaceitável. A transparência tem que ser a regra número 1. Mais uma vez a Prefeitura jogando contra a população. Se o serviço é público e a tarifa sai do bolso do cidadão, o que tanto eles têm a esconder nessa negociação? E se for tocar desse jeito, eu vou fazer o que estiver ao meu alcance pra barrar, não tem meia conversa”, criticou Ana.
Nos bastidores, a informação era de que a primeira reunião do grupo de Goiânia (GO) para negociar a compra do Consórcio Guaicurus, muito antes da intervenção, ocorreu com o deputado estadual Lídio Lopes (Avante), marido de Adriane. Ele nunca confirmou o encontro, mas a venda acabou se confirmando após o juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, determinar a intervenção em uma ação popular.

Apesar da queixa frequente dos empresários, de que há déficit no transporte coletivo, para justificar a precariedade do serviço, o sistema é uma mina de dinheiro. Com base nos dados da prefeitura, atualmente, 102,.540 pessoas são transportadas, em média, pelo serviço na Capital. Isso significa faturamento de R$ 185,2 milhões por ano, considerando-se somente a tarifa atual de R$ 4,95. O cálculo não inclui a tarifa técnica de R$ 6,57 paga pelo poder público. Isso significa que o novo dono terá faturamento de R$ 1,1 bilhão até 2032, quando vence o contrato.
Com a aprovação do negócio pelo CADE, a venda só depende de Adriane Lopes. Oficialmente, o capital social da Maas Administração e Participações, criada para assumir o transporte coletivo da Capital, é de apenas R$ 10 mil.
O administrador e sócio é Edmundo de Carvalho Pinheiro, que é CEO da HP Mobilidade e é presidente da NTU (Associação Nacional de Empresas de Transporte Urbano). O grupo existe há 57 anos e conta com 2.674 veículos. No entanto, não se sabe o motivo do mistério de ocultar os nomes dos sócios do processo no CADE.
Maicon Nogueira cobrou informações porque se trata de concessão pública e a população tem direito de saber. Como a negociação é conduzida pela prefeita Adriane Lopes, a pior na história da Capital e do país, o negócio exige ainda mais transparência.

Fonte: ojacare.com.br/By Edivaldo Bitencourt
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