Moradores propõem reformar USF Vila Corumbá com as próprias mãos para Adriane não fechar
Moradores protestando em frente a unidade de saúde (Foto: Divulgação)
Desde a quarta-feira (07), moradores da Vila Corumbá, em Campo Grande, protestam contra o fechamento da Unidade de Saúde da Família do bairro. Eles estiveram na Câmara e pediram apoio dos vereadores, mas a gestão Adriane Lopes (PP) está decidida a encerrar a USF e obrigar moradores a andar 2 km por atendimento.
A prefeitura tem a opção de duas unidades próximas, mas que ficam a 2km de distância do bairro, percurso considerável para idosos e crianças que vão precisar andar a pé, encarar o péssimo transporte público ou pagar por veículos de aplicativo. Por isso a população foi às ruas protestar.
A prefeitura alega que o prédio, que é alugado, está em más condições de preservação e por isso, decidiu não renovar o contrato de locação. Já os moradores, se organizaram e fizeram a proposta de ajudar na reforma “para a prefeitura não gastar”, nem que seja reformar com as próprias mãos.
Aos 74 anos, o líder do bairro Ramão Barros fez até o trabalho da prefeitura. Conversou com o proprietário do prédio e moradores e já tem a solução: a própria população reformar a unidade de saúde para evitar o fechamento, até a construção de um prédio novo.
“O prédio não está tão ruim, está melhor que outros, como da Comunidade Tia Eva, mas a gente gostaria de manter ali até construir um novo. Conversamos com a comunidade, já resolvemos, mas precisamos desse apoio da prefeitura”, disse Ramão.
Os vereadores se comprometeram a auxiliar os moradores no diálogo com a prefeitura.
O que a prefeitura diz:
“A Secretaria Municipal de Saúde informa que a medida se faz necessária diante das condições estruturais do prédio e das exigências sanitárias, de segurança e acessibilidade atualmente vigentes. O imóvel é alugado e, desde 2024, a Sesau vem formalmente solicitando ao proprietário as adequações necessárias, sem que houvesse disponibilidade para os investimentos; a renovação do contrato venceu na última semana. Relatório da Vigilância Sanitária também apontou inadequações, que já impedem a realização de procedimentos que dependem de estrutura específica, como curativos. O prédio não atende aos critérios atualmente exigidos para uma unidade de saúde e apresenta limitações que afetam tanto usuários quanto servidores.
A decisão, portanto, não é repentina nem foi tomada sem planejamento. Desde 2023, a Sesau estuda alternativas para unidades instaladas em imóveis alugados que não apresentam condições adequadas e já cadastrou mais de 30 projetos de construção de novas USFs junto ao Ministério da Saúde, inclusive alternativas para a região da Vila Corumbá, sem que até o momento houvesse aporte federal para sua execução. Diante do vencimento do contrato e da impossibilidade de realizar as adequações estruturais necessárias em imóvel de terceiros, a devolução do prédio deverá ocorrer, conforme as condições contratuais, observando a legislação e a responsabilidade na aplicação dos recursos públicos.
Isso não significa deixar a população sem atendimento. Atualmente, a USF Vila Corumbá possui apenas uma equipe, que será remanejada, no prazo de 30 dias, para uma unidade com melhores condições estruturais, preservando a continuidade da assistência. As alternativas apresentadas são a USF 26 de Agosto, na mesma região, e a USF Paradiso, também próxima, mas pertencente a outro distrito, o que demanda adequações administrativas. A própria realidade da unidade demonstra a necessidade de mudança: serviços que não podem ser realizados no imóvel já são buscados pelos usuários em outras unidades da rede. Portanto, a medida não retira a equipe da população; busca garantir que ela continue prestando atendimento em condições adequadas, seguras e compatíveis com as normas vigentes.
A Sesau também considera legítima a preocupação dos moradores diante de qualquer mudança na unidade de referência e, por isso, a decisão está sendo conduzida com diálogo e participação social. Em reunião realizada nesta terça-feira (6), com a presença do secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela; da secretária-adjunta, Ivoni Nabhan; da superintendente de Atenção Primária à Saúde, Ana Paula Resende; do presidente do Conselho Municipal de Saúde, Jader Vasconcelos; representantes dos conselhos de saúde e conselhos locais da Vila Corumbá e 26 de Agosto, além de servidores da USF Vila Corumbá, foram apresentados os fundamentos técnicos e administrativos da medida e abertas as discussões para avaliar, junto à comunidade, qual das duas alternativas é mais adequada. A gestão reafirma que sua prioridade é garantir assistência contínua, segurança para pacientes e servidores, respeito às normas e uso responsável dos recursos públicos. Manter uma equipe em um imóvel que não reúne mais as condições necessárias apenas para evitar uma mudança não seria uma decisão responsável; a responsabilidade, neste momento, é construir uma solução que preserve o atendimento e ofereça melhores condições para quem utiliza e para quem trabalha na unidade”.
Fonte: ojacare.com.br/By Priscilla Peres