Operação contra desvio de R$ 18 mi em hospital prende três e mira genro de deputada
Operação mira o desvio de R$ 18 milhões em hospital de Sidrolândia (Foto: Leo de França/Midiamax)
O GECOC (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e a 3ª Promotoria de Justiça de Sidrolândia deflagraram, nesta quarta-feira (7), a 2ª fase da Operação Dirty Pix para investigar o desvio de R$ 18 milhões do Hospital Municipal Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia. Foram presos o presidente da instituição, Breno Breure, o ex-assessor de deputado estadual, Júlio César Alves da Silva, e a policial civil Cristian Rosa Gomes de Carvalho.
Promotores e policiais militares cumpriram 25 mandados de busca e apreensão. Um dos alvos foi Nivaldo Thiago Filho de Souza, chefe de gabinete do conselheiro Sérgio de Paula, no Tribunal de Contas do Estado, e genro da deputada federal eleita, Mara Caseiro (PL). Ele já é réu por homicídio e apelou ao Tribunal de Justiça para se livrar do júri popular.
Um dos presos, Júlio César, era assessor do deputado estadual Paulo Corrêa (PL) e foi exonerado no final do ano passado.
Os mandados de busca e apreensão são cumpridos em Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju e Selvíria.
A investigação é continuidade da Operação Dirty Pix, deflagrada em novembro do ano passado, para apurar o desvio de mais de R$ 5 milhões na aquisição de um aparelho de ressonância magnética. O dinheiro foi repassado pelo Governo do Estado para o Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa.
O MPE descobriu que houve desvios de recursos em outros convênios celebrados pela instituição e usando o mesmo modus operandi. O caso é reflexo da impunidade que impera no combate aos crimes de corrupção em Mato Grosso do Sul. Enquanto pacientes morrem por falta de remédios, exames e vagas em hospitais, criminosos impunes articulam o desvio dos parcos recurso destinados à saúde.
De acordo com os elementos colhidos até o momento, o esquema investigado atingiu recursos públicos destinados à aquisição de equipamentos e materiais hospitalares, de unidade de terapia intensiva (UTI) móvel, bem como à execução de obras de reforma do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, cujos valores ultrapassam R$ 18 milhões.
“Ainda segundo apurado, eram elaborados planos de trabalho contendo informações fraudulentas, com superfaturamento de bens e serviços, e direcionamento das contratações para empresas previamente alinhadas ao núcleo investigado”, diz o MPE, em nota.
“Após o ingresso dos recursos públicos nas contas da entidade hospitalar, parte dos valores foi desviada das finalidades previstas nos respectivos convênios e posteriormente redistribuída por meio de sucessivas movimentações financeiras, envolvendo repasses diretos e indiretos a agentes políticos, articuladores, intermediários e interpostas pessoas”, apontou.
Além do desvio, a organização criminosa vinha atuando para obstruir as investigações e impedir a punição dos bandidos.
A operação, traduz-se da língua inglesa como “pix sujo”, e faz alusão à natureza ilícita das transferências financeiras utilizadas para viabilizar o esquema.
Jacob Breure é o segundo presidente de hospital preso por desvio de recursos nos últimos 30 dias. No dia 11 de setembro deste ano, a advogada Alir Terra Lima foi presa na Operação Antidotum, acusada pelo desvio de R$ 4,9 milhões na Santa Casa de Campo Grande. Ela renunciou ao cargo e segue atrás das grades.
Fonte: ojacare.com.br/By Edivaldo Bitencourt