Megapacote de Adriane causa polêmica ao começar por “tapar” em locais sem buracos
Marcações no asfalto, onde não há buracos: empresário só acreditou que locais receberam a operação tapa-buracos após ver o trabalho dos operários (Foto: Reprodução)
Edivaldo Bitencourt e Priscilla Peres – A megaoperação de Adriane Lopes (PP) para acabar com a buraqueira em Campo Grande, com investimento de R$ 46,3 milhões, causou polêmica ao ter início em locais sem buracos. Um empresário ficou indignado ao ver a equipe abrir e, somente depois, tapar o buraco na Rua 25 de Dezembro, na Vila Cruzeiro, na região central.
Enquanto isso, os moradores sofrem com a buraqueira que assola outras vias e avenidas de Campo Grande. Na Rua Tinoco de Carvalho, na Vila Carvalho, por exemplo, motoristas fazem malabarismo para desviar dos buracos há vários meses. Com a chuva atípica, ocasionada pelo fenômeno El Ñino, a situação ficou pior e os buracos se multiplicaram nos últimos meses na Capital.
Para dar uma resposta a duas semanas das eleições, a prefeita decidiu usar o Consórcio Central para driblar a legislação e contratar cinco presas sem licitação. De acordo com a assessoria da prefeitura, a previsão é gastar R$ 46,3 milhões em um ano.
Contudo, o megapacote causa polêmica no primeiro dia. Inicialmente, o empresário se deparou com a sinalização no asfalto de pontos sem buraco. Incrédulo, ele decidiu aguardar a chegada da equipe na Rua 25 de Dezembro para constatar, estupefato, que, de fato, os operários abriram o buraco onde não existia e, então, só depois o taparam.
“Vocês estão cortando aqui onde não precisava, um absurdo”, afirma aos operários. “Vocês estão fazendo onde não tem buraco. Eles estão fazendo negócio onde não tem buraco. Com tanto buraco ali, cortando aqui onde não precisava”, protesta o morador.
“Eu quebrei meu carro duas vezes ali atrás em um buraco enorme, estão fazendo onde não precisa. Isso é um absurdo. Não dá para aceitar um negócio dessa”, revolta-se. “Tem pessoas caindo de moto, se machucando”, lamenta-se. Alguns operários riem da situação.
Veja: https://www.ojacare.com.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Video-2026-09-21-at-10.19.55-1.mp4
Escândalo e corrupção
A denúncia de que uma construtora estava tapando buraco fantasma virou escândalo nacional em janeiro de 2015 e forçou o Ministério Público Estadual a reabrir investigação sobre o desvio na Operação Tapa-buracos em janeiro de 2015. Na época, o porteiro de um prédio flagrou funcionários da empresa tapando um buraco que não existe, semelhante ao registrado nesta segunda-feira (21) na Rua 25 de Dezembro.
As imagens gravadas por uma câmera de segurança mostravam um caminhão se aproximando e um operário que despejava piche no asfalto. Porém, o asfalto estava lisinho, sem nenhum buraco. O homem repetiu a ação em um outro trecho da pista. Em seguida, outro funcionário da equipe jogou massa asfáltica.
A cena inusitada foi parar nas redes sociais. “Aqui em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, é diferente! Prevemos o buraco que irá aparecer e tampamos o buraco antes mesmo que ele apareça. Eita, pessoal, hein?”, ironizou o porteiro. A empresa era Selco Engenharia. O caso saiu no Jornal Hoje, da TV Globo.
Notícias Campo Grande

O MPE criou uma força-tarefa que protocolou 11 ações por improbidade administrativa contra o ex-prefeito Nelsinho Trad (PSD), atual candidato a primeiro suplente de senador de Reinaldo Azambuja (PL). Ele conseguiu se livrar de algumas ações, vai a julgamento em outras e até já foi condenado.
No caso da Proteco Construções, o juiz Ariovaldo Nantes Corrêa, da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivo se Individuais Homogêneos, condenou por improbidade administrativa 10 pessoas e a empreiteira pelo desvio de R$ 7,066 milhões na Operação Tapa-buracos. O grupo deverá pagar R$ 24 milhões aos cofres públicos. Nelsinho Trad teve os direitos políticos suspensos por 12 anos e vai pagar R$ 1,4 milhão entre multa civil e indenização por danos morais.
Em maio deste ano, o MPE deflagrou a Operação Buraco Sem Fim e prendeu cinco pessoas, entre as quais o ex-secretário municipal de Infraestrutura, Rudi Fiorese, dois empresários e responsáveis pelo tapa-buracos na gestão de Adriane Lopes.
Justiça Campo Grande
Conforme o MPE, eles chegavam a inventar buracos para viabilizar o pagamento para a Rial Construtora, que mudou de nome para Força Engenharia após o escândalo. A empresa recebeu mais de R$ 113 milhões da prefeitura. A Justiça determinou a rescisão do contrato com a empreiteira, que era responsável por quatro das sete regiões da Capital.
Agora, com o gasto de R$ 46,3 milhões, novo flagrante de que a operação tapa-buracos prioriza locais onde não existe buracos enquanto outros locais parecem queijo suíço com tanto buraco.
O Jacaré procurou a prefeitura, mas não houve retorno até o momento.

Prefeitura não responde
O Jacaré procurou a prefeita Adriane Lopes e a prefeitura para saber sobre a fiscalização da Operação Tapa-buracos, que volta a mostrar falhas, mas não teve retorno até o momento.
Fonte: ojacare.com.br/By Especial para O Jacaré