Serasa: 51% dos brasileiros adultos têm dívidas atrasadas
São 83,9 milhões de inadimplentes/Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil
O número de brasileiros inadimplentes chegou a 83,9 milhões em agosto, de acordo o Mapa da Inadimplência da Serasa e divulgados pelo site UOL. O contingente representa 51% da população adulta e reúne pessoas com dívidas atrasadas há mais de 90 dias.
O cartão de crédito concentra a maior parcela das pendências, com 27,2% das dívidas em aberto. Na sequência aparecem contas básicas, como luz, água e gás, com 21,1%, faturas de financeiras, com 19,9%, e serviços, com 11,6%.
A expansão do crédito para pessoas físicas acompanhou o avanço da inadimplência. Dados do Banco Central mostram que as concessões passaram de R$ 213,7 bilhões em março de 2011 para R$ 406,4 bilhões em julho de 2026, alta de 90%, em valores atualizados pela inflação.
Segundo a Serasa, entre 2016 e 2026, o número de inadimplentes cresceu 38,1%, enquanto o volume total das dívidas aumentou 54,9%.
A ampliação do acesso ao crédito ganhou força a partir de 2010 com a entrada de fintechs, a digitalização dos bancos e o estímulo a modalidades como o Financiamento Estudantil (Fies) e o Minha Casa Minha Vida. Em 2018, as fintechs passaram a ter autonomia do Banco Central para conceder crédito diretamente.
Em 2016, as fintechs movimentaram R$ 161 milhões em crédito. Em 2025, o volume chegou a R$ 53,8 bilhões, segundo levantamento da PwC Brasil e da Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD).
O aumento dos juros também elevou o custo do endividamento. A Selic passou de 2% ao ano em 2020 para a casa de 15% e atualmente está em 13,75%. Nas linhas de crédito pessoal, as taxas podem chegar a três dígitos ao ano.
As famílias de menor renda recorrem mais a modalidades caras. 82% do uso do cartão entre os mais ricos é pago à vista no vencimento, percentual que cai para 64% entre as famílias de baixa renda.
70% da carteira de crédito das pessoas físicas está concentrada em modalidades com garantia. No consignado, por exemplo, as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento. Apesar dos juros menores, o comprometimento da renda pode levar famílias a recorrer a linhas emergenciais mais caras. Outro fator apontado no cenário é o pagamento de programas sociais por meio de cartões.
Em nota, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) informou ao UOL que a “aprovação de cada financiamento leva em conta as políticas de cada banco, que adotam uma série de medidas para prevenir o superendividamento e a inadimplência” e que “os bancos possuem compromissos voluntários de autorregulação voltados à transparência, concessão responsável de crédito, proteção do cliente hipervulnerável, ações de educação e orientação financeira, e mutirões de repactuação de dívidas para apoiar clientes que enfrentam dificuldades de pagamento”.
Fonte: claudiodantas.com.br/Por Redação