Adriane usa consórcio para driblar licitação e credencia ré por desvios para tapa-buracos
Adriane Lopes foi eleita em dezembro de 2024 presidente do Consórcio Central (Foto: Arquivo)
A prefeita Adriane Lopes (PP), presidente do Consórcio Central, selecionou oito empresas para prestar serviços de tapa buraco em Campo Grande. A contratação será via consórcio, ou seja, sem licitação e entre as selecionadas está a polêmica André L dos Santos, ré por corrupção e no centro da investigação da Operação Cascalhos de Areia.
Após a Operação Buracos Sem Fim do Gaeco, que apontou desvio milionário de recursos públicos para tapar buracos de Campo Grande e levou ao fim do contrato com a Rial Engenharia, agora a prefeita encontrou um novo ‘jeitinho’ de realizar a contratação das empresas.
Conforme publicação em diário oficial, o Consórcio Central habilitou oito empresas para prestar o serviço de tapa buraco para a prefeitura. Curiosamente, os empresários se mostraram interessados na proposta, mesmo sem ter estabelecido ainda os valores que serão pagos pelo serviço.
As empresas selecionadas são:
- ANDRE L DOS SANTOS LTDA (CNPJ: 08.594.032/0001-74)
- CG3F SERVICOS E CONSTRUTORA LTDA (CNPJ: 08.946.897/0001-52)
- FUNCHAL CONSTRUÇÃO E SERVIÇOS LTDA (CNPJ: 42.534.963/0001-15)
- META CONSTRUTORA LTDA (CNPJ: 13.628.966/0001-10)
- PROJEVIA ENGENHARIA LTDA (CNPJ: 09.561.046/0001-54)
- SETE ENGENHARIA EIRELI EPP (CNPJ: 19.020.912/0001-53)
- SOUZA DOS SANTOS CONSTRUTORA LTDA (CNPJ: 44.445.224/0001-82)
- TST CONSTRUÇÕES LTDA (CNPJ: 19.172.557/0001-38)
O diretor-executivo do Consórcio Central, Vanderlei Bispo Oliveira, explica que detalhes como os valores, os bairros atendidos, os prazos e a ordem de serviço devem ser publicados pela Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura), na próxima semana.
Nem mesmo o valor que será pago ao Consórcio Central pela intermediação foi divulgado até o momento. Bispo explica ainda que é a ordem de serviço que vai definir como o serviço será feito, mas as empresas habilitadas estarão disponíveis para tapar os buracos quando necessário.
Além disso, este contrato é independente de outro assinado por Adriane Lopes, de R$ 25,7 milhões para o fornecimento de CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado a Quente) pelo Consórcio Central para a prefeitura de Campo Grande por um ano.
Questionado sobre a participação da ALS, do empresário André Luiz dos Santos, conhecido por Patrola, o diretor-executivo disse que “não tem nada que impeça que eles participem da habilitação”. Patrola foi denunciado na Operação Cascalhos de Areia, deflagrada em junho de 2023 em Campo Grande.
O empresário está no centro de escândalos. A A.L. dos Santos é ré junto a Engex pelo desvio de R$ 7,3 milhões dos cofres da Prefeitura de Campo Grande. André Patrola foi denunciado junto com outros réus pelo desvio de R$ 45 milhões por meio da locação de caminhões e maquinários pela Capital.
O empresário ainda foi um dos alvos da Operação Máquinas de Areia, deflagrada pelo GECOC, Gaeco e MPE para apurar o desvio em Três Lagoas, também por meio da locação de máquinas. Uma das suspeitas é a utilização de outra empresa para firmar os contratos.

Fonte: ojacare.com.br/By Priscilla Peres