17 de agosto de 2026
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Jornalista da Globo enfrenta Moraes e dispara: “Ditador”

Jornalista da Globo enfrenta Moraes e dispara: “Ditador”/©Foto: Reprodução/Instagram

A jornalista Malu Gaspar publicou na última sexta-feira (14), no jornal O Globo, uma análise em que questiona a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de autorizar uma operação da Polícia Federal contra Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança do Maranhão apontado como fonte do jornalista Luís Pablo. O caso envolve reportagens sobre o uso de veículos oficiais pela família do ministro Flávio Dino.

Na avaliação apresentada por Malu, a medida coloca em discussão o sigilo da fonte, garantia prevista na Constituição e considerada por ela fundamental para o trabalho jornalístico. A colunista argumenta que informações utilizadas em investigações de interesse público frequentemente dependem de fontes que só colaboram quando têm a identidade preservada.

“Do Mensalão ao Petrolão, da Vaza-Jato à rachadinha de Flávio Bolsonaro ou às fraudes do Banco Master, todos esses casos fundamentais para a depuração das nossas instituições só andaram graças a fontes que nunca teriam colaborado se fossem obrigadas a se identificar. De tão central para o fortalecimento da democracia, o sigilo da fonte é garantido na Constituição como cláusula pétrea”, ressaltou.

Malu também afirmou que Luís Pablo recebeu informações e as publicou, o que, segundo sua análise, não configura crime por si só. Ao comentar a busca realizada contra o jornalista, classificou a ação como tendo “cara, jeito e cheiro de pesca probatória”.

A coluna ainda aborda a suspeita de que Luís Pablo teria recebido R$ 100 mil de um advogado. Segundo o texto, as mensagens encontradas tratariam o valor como um empréstimo, enquanto a investigação levantou a possibilidade de que o dinheiro estivesse relacionado ao pagamento por reportagens. O jornalista nega essa hipótese.

Malu questionou ainda a tramitação do caso no Supremo e comparou a situação com outros episódios envolvendo veículos e sites acusados de receber pagamentos para publicar conteúdos de interesse de terceiros.

Para a jornalista, uma eventual flexibilização do sigilo da fonte poderia afetar a atuação da imprensa na fiscalização de autoridades. Ela também criticou medidas que, em sua avaliação, poderiam constranger jornalistas no exercício da profissão. “Se todo juiz deste país puder quebrar o sigilo da fonte de um jornalista que divulgou algo incômodo, ficará impossível fiscalizar a ação das autoridades, premissa básica do sistema democrático. Constranger um jornalista a não exercer sua profissão por medo de ser preso é coisa de ditador”, escreveu.

Ao final da coluna, Malu Gaspar afirmou que os ministros do STF deveriam se envergonhar do precedente que, segundo ela, foi criado a partir das medidas contra Luís Pablo e sua fonte. “Os ministros do Supremo deveriam ter vergonha do precedente aberto nesse caso, ainda mais quando se apresentam à opinião pública como heróis que salvaram nossa democracia”, finalizou.

Fonte: msn.com/História de PAIPEE

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