Zema vê censura em decisão de Moraes e defende liberdade de expressão
Ex-governador Romeu Zema (Novo) durante evento com diplomatas em São Paulo — Foto: Jaqueline Lourenço/ divulgação
O candidato do Novo à Presidência da República, Romeu Zema, que tem a crítica a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) como bandeira de campanha, disse que a decisão de Alexandre de Moraes determinando apuração contra a fonte de um jornalista no Maranhão abre caminho para censura no Brasil e que é preciso defender a liberdade de expressão.
Zema participou nesta quinta-feira (13) de um evento com empresários promovido pelo Grupo R1, na capital paulista. Questionado por jornalistas no local, o ex-governador de Minas Gerais disse que “o Brasil está vivendo um momento de censura” e lembrou ter sido alvo do ministro Gilmar Mendes, por causa de uma sátira retratando membros da Corte como “intocáveis”.
Zema colocou em xeque a existência do regime democrático no Brasil e classificou como “perseguição” a investigação envolvendo o jornalista maranhense, que expôs o uso de veículos oficiais no Maranhão pelo ministro Flávio Dino, do STF. “Parece que no Brasil nós daqui a pouco não podemos falar nada”, disse o presidenciável.
Para ele, a situação é “muito preocupante”, especialmente porque “isso tem acontecido de maneira repetida”. Moraes, que é relator do caso no STF, defendeu as investigações, afirmando que a segurança de Dino e seus familiares foi colocada em risco. Além disso, o magistrado defendeu a liberdade de imprensa e o direito ao sigilo da fonte de jornalistas.
Durante a palestra, Zema prometeu “um choque moral e ético no Brasil” caso seja eleito em outubro, o que motivou aplausos do auditório. Ele também falou em desfazer “a gastança” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na intenção de contribuir para a redução da taxa de juros, e em combater a “bandidagem” no país.
“Lógico que temos planos para educação, saúde, infraestrutura, mas esses três choques precedem os planos para as demais áreas”, afirmou, apresentando-se como um candidato “sem rabo preso” e voltando a criticar políticos que tiveram envolvimento com Daniel Vorcaro, do Banco Master, a quem Zema se refere como “banqueiro bandido”.
Ao atacar a taxa de juros e a carga tributária, ele disse que o Brasil tem “um Estado cada vez mais gordo, um carrapato maior do que a vaca”, o que atrapalha investimentos. Em sua gestão em Minas, prosseguiu, foi possível reverter o quadro de “destruição” deixado pelo ex-governador Fernando Pimentel (PT), trabalhando “com gente competente [no governo], enxugando despesas e tornando o Estado amigável a novos investimentos”.
O presidenciável disse ainda que o Brasil precisa de uma nova reforma da Previdência, para acompanhar o aumento na expectativa de vida, e de uma revisão dos programas sociais. Ele voltou a dizer que, se eleito, quer suspender o pagamento do Bolsa Família a quem recusar sucessivas propostas de emprego e falou em oferecer um bônus de R$ 5 mil para quem trocar a inscrição no programa por um emprego formal.
Zema disse que, mesmo sendo “uma política de esquerda”, os programas sociais “são fundamentais” no Brasil. “Num país pobre, nós não podemos deixar de ter Bolsa Família, mas [devemos] pagar para quem precisa e combater as fraudes.”
O ex-governador lembrou seu histórico como empresário, disse que antes enxergava a política como “uma atividade criminosa” e incentivou outros empreendedores a se engajarem. “O Brasil não vai adiante por causa dos nossos políticos, [mas] merece gente melhor na política. E, para isso acontecer, nós [empresários] temos que estar envolvidos.”
Com 2% de intenções de voto na mais recente pesquisa Genial/Quaest, do início deste mês, Zema disse que “ninguém ainda está sintonizado em modo eleitoral” e que espera um crescimento no período da campanha, que começa no domingo (16). Ele também reiterou que a direita estará unida no segundo turno para tentar derrotar o candidato do PT.
Fonte: valor.globo.com/Por Joelmir Tavares, Valor — São Paulo