Corrupção, chuva recorde e ritmo menor de operação consagram Capital como ‘buracolândia’

Cratera toma conta da Avenida Presidente Vargas, na Capital (Foto: O Jacaré)

Desvio de recursos, chuva recorde em junho e a redução no ritmo da operação tapa-buracos pela gestão de Adriane Lopes (PP) consagraram a Capital, literalmente, como “buracolândia”, com buracos tomando contas de ruas e avenidas em todas as regiões. E a situação pode piorara se a prefeitura não conseguir manter o trabalho paliativo a partir do próximo mês.

Para fazer jus ao título de pior prefeita da história, Adriane não tem tomado medidas efetivas para resolver um problema que se arrasta desde a vitória nas eleições de outubro de 2024. Os buracos não dão sossego ao campo-grandense, que sofre com os transtornos e riscos diários para trafegar pelas vias públicas de Campo Grande.

Não bastasse os parcos recursos existentes para a manutenção das vias públicas, ainda há o escândalo desvio por suposta organização criminosa instalada na Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos). De acordo com a Operação Buraco Sem Fim, deflagrada pelo Ministério Público, houve desvio, pagamento de propina e superfaturamento por meio do contrato firmado com a Construtora Rial.

Deflagrada em 12 de maio deste ano, a operação prendeu sete acusados pelo desvio de recursos destinados à operação tapa-buracos. Entre os presos, estavam o coordenador da operação, Edivaldo Aquino Pereira, e o superintendente de Serviços Públicos, Mehdi Talayeh, e os sócios da construtora, Antônio Bittencourt Teixeira Pedrosa e Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa.

A empreiteira era responsável pela operação tapa-buracos em quatro das sete regiões de Campo Grande e recebeu R$ 113 milhões da prefeitura. De acordo com o GECOC (Grupo Especial de Combate à Corrupção), o grupo inventava buraco para justificar o pagamento enquanto a população sofria com a buraqueira sem fim nas ruas.

Além disso, a gestão de Adriane reduziu em 77% o número de buracos tapados diariamente. Em reunião com os vereadores, o secretário municipal de Infraestrutura, André Brandão, o Andrezão, informou que as equipes estão tapando 450 buracos por dia. Ele pretende dobrar essa meta.

Em março deste ano, a prefeita tinha anunciado que estava tapando cerca de 2 mil buracos por dia. Houve redução para menos da metade do que era realizado no início do ano.

Para agravar a situação, se isso é possível, a Capital enfrenta um mês de junho atípico, com chuvas intensas. De acordo com o meteorologista Natálio Abrão, até o momento, já choveu de 119,2 milímetros, na saída para Aquidauana, até 151,2 mm, na região do Bairro Carandá Bosque. Isso significa que as chuvas estão quatro vezes acima da média história para o mês, que é de 42,5 mm.

Incomodados com a pressão da população, que tem se assustado até com mortes em acidentes causados por buracos, os vereadores cobram, mas continuam passivos ao cenário sem solução.

O vereador Ronilço Guerreiro (Podemos) propôs a convocação do Exército para ajudar na operação tapa-buracos. “Sugeri até que faça uma ação emergencial até com o Exército, que tem uma excelente equipe de engenharia. Envolver até o Exército para salvar Campo Grande”, sugeriu o parlamentar.

Andrezão e a prefeita: a dupla é responsável pela operação tapa-buracos na Capital (Foto: Arquivo)

As Forças Armadas já fracassaram na implantação do corredor de ônibus. Contratado para executar o trabalho, o Exército só concluiu o novo modelo nas ruas Brilhante e Guia Lopes e abandonou o serviço nas avenidas Marechal Deodoro, Gunter Hans e Bandeirantes.

O presidente da Câmara Municipal, Epaminondas Silva Neto, o Papy (PSDB), propôs licitação de emergência para salvar essa crise que vivemos, mas que seja feita de maneira moderna. O tucano defendeu um recapeamento para recuperar a pavimentação e resolver o problema. No entanto, Papy não informou de onde pode sair o dinheiro, se falta dinheiro para uma simples operação de tapa-buracos.

Enquanto a prefeita, o secretário e os vereadores batem cabeça sem resolver o problema, a população sofre com o colapso da infraestrutura urbana. Os buracos tomaram conta de um trecho de três quilômetros da Avenida Presidente Vargas, entre as avenidas Júlio de Castilho e Euler de Azevedo.

Em alguns bairros, o carro anda caindo de buraco em buraco.

Veículos fazem malabarismo para desviar de buracos na Presidente Vargas (Foto: O Jacaré)

Fonte: ojacare.com.br/By Edivaldo Bitencourt

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *