Da ala garantista, juiz perde a paciência e “expulsa” advogados de ação por lavagem de dinheiro

Juiz Roberto Ferreira Filho deu prazo de 5 dias para os réus constituírem novos advogados. (Foto: Arquivo)

Magistrado da ala “garantista”, o juiz da 1ª Vara Criminal de Campo Grande, Roberto Ferreira Filho, perdeu a paciência e “expulsou” três advogados de processo de lavagem de dinheiro que tramita desde 2016.

“Em razão da reiterada inércia dos patronos dos corréus Leonardo, Ana e Pércio na apresentação de suas alegações finais, descumprindo, por mais de uma vez, determinação judicial neste sentido, é a presente para determinar: a) seja oficiado à OAB, subseção de MS (advogado Dra Keila Wesner Rodriguez), do RJ (Dr. Jerson Carneiro Gonçalves Júnior) e de SC (advogado Dr. Adriano Galvão Dias Resende), para ciência e providências no âmbito ético-disciplinar”.

O juiz ainda deu prazo de cinco dias para que os três réus constituam nova defesa. Caso não cumpram o prazo, passarão a ser atendidos pela Defensoria Pública, que deverá apresentar as alegações finais.

Na sequência do documento, o magistrado recorreu a letras garrafais: “CUMPRA-SE COM ABSOLUTA PRIORIDADE, PEDINDO URGÊNCIA AO SR. OFICIAL DE JUSTIÇA QUE DEVERÁ INTIMAR OS ACUSADOS SUPRACITADOS”.

No meio jurídico, o magistrado é conhecido como garantista, teoria jurídica que busca garantir os direitos individuais do acusado em um processo criminal. De postura moderada na condução das audiências, Roberto Ferreira Filho passou por situações no mínimo inusitadas no ano de 2020 em processos da Operação Omertá.

Foi diante dele, numa audiência por vídeos que Jamil Name (já falecido) ofereceu propina de até R$ 600 milhões. Noutra ocasião, Name disse que um policial, testemunha no processo, merecia morrer, o que exigiu resposta enérgica do magistrado.

MPE denunciou desvio em obra na Orla Morena. (Foto: Arquivo)

Dinheiro na sacola

Ana Maria Kemp Falcon, Leonardo Barbosa Andrade e o ex-vereador de Campo Grande, Pércio Andrade Filho, foram denunciados por esquema de desvio de R$ 1,019 milhão na 2ª etapa da Orla Morena. O episódio também originou processo por improbidade administrativa.

A investigação do Ministério Público Estadual descobriu que o ex-parlamentar usou sacola de dinheiro para comprar um apartamento. Sortudo, o político teria ganho três vezes na loteria no período de um mês em 2014, coincidentemente, o mesmo ano em que teriam ocorridos nos desvios na obra

A quebra do sigilo bancário e fiscal em 2018 mostrou movimentações atípicas nas contas de Pércio Andrade. Uma das suspeitas da promotoria é de que a empresa GT Serviços e Engenharia (responsável pela obra) repassou o dinheiro para o sócio oficial, Orlando Torres da Silva, e ele repassava para o ex-vereador. Entre agosto de 2014 e novembro de 2015, a GT repassou R$ 1,073 milhão a Orlando, que efetuou saques em altos valores logo após o depósito.

Fonte: ojacare.com.br/By Especial para O Jacaré

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