Cesta básica aumenta 8,41% nos primeiros 5 meses, enquanto reposição salarial foi apenas 3,81% aos servidores públicos
Inflação dos alimentos acumulada de janeiro a maio deste ano na Capital é mais que o dobro do índice imposto pelo Governo do Estado
A distância entre o reajuste salarial concedido pelo Governo do Estado e o custo real com a cesta básica em Campo Grande chamou a atenção do funcionalismo público de Mato Grosso do Sul. A Revisão Geral Anual (RGA) de apenas 3,81%, imposta pelo governador Eduardo Riedel — por meio da Lei Estadual 6.562/2026 —, mostra-se totalmente defasada frente à realidade da vida dos servidores públicos e sua família. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), a cesta básica na Capital já acumula uma alta expressiva de 8,41% de janeiro a maio de 2026 — um índice que engole, com folga, mais que o dobro de todo o reajuste anual dos trabalhadores.
Como a maior parte dos servidores públicos estaduais reside e consome na Capital, o impacto dessa carestia foi o estopim para uma forte reação das categorias. Cerca de 250 servidores, liderados pelo Fórum dos Servidores Públicos de MS, ocuparam o plenário e o saguão da Assembleia Legislativa (ALEMS) no primeiro grande ato de mobilização do ano. O movimento protesta contra o autoritarismo da gestão estadual, destacando que o projeto foi sancionado sem qualquer canal de negociação prévia com os sindicatos.
O sufoco no orçamento
Os dados do DIEESE traduzem em números o drama vivido pelo funcionalismo na Capital. Enquanto os salários foram reajustados em uma taxa que não repõe sequer as perdas acumuladas das carreiras, o conjunto de alimentos básicos em Campo Grande disparou, atingindo o valor de R$ 841,19 em maio.

O acumulado de 8,41% nos primeiros cinco meses do ano foi impulsionado por itens essenciais que registraram altas vertiginosas no comércio local em 2026.
Vilões da mesa
(Acumulado Jan-Maio/2026):
• Tomate: +92,64% de aumento no ano.
• Batata: +80,15% de aumento no ano.
• Feijão Carioca: +47,05% de aumento no ano.
Vilões do prato feito
Embora o preço de alguns itens como o café em pó (-7,86%) e o açúcar (-4,35%) tenham recuado no último mês, os componentes principais da alimentação diária dispararam no varejo campo-grandense:
• Batata: +46,71% (somente em maio) | +80,15% no acumulado do ano.
• Tomate: +21,37% (somente em maio) | +92,64% no acumulado do ano.
• Feijão Carioca: +8,37% (somente em maio) | +47,05% no acumulado do ano.
Mais da metade do salário vai para o mercado: Segundo o DIEESE, o trabalhador de Campo Grande que recebe o piso salarial precisou comprometer 56,10% de sua renda líquida (após o desconto da Previdência) apenas para garantir a alimentação básica em maio. A jornada de trabalho necessária para comprar a cesta subiu para 114 horas e 10 minutos.
Dois pesos e duas medidas
No mesmo período em que impôs o índice de 3,81% aos servidores, alegando limitações orçamentárias, o Governo do Estado apresentou um robusto pacote de benefícios fiscais voltado para o setor privado.
A nova estrutura de Desenvolvimento Produtivo do Estado promoveu a desoneração de cerca de 80 decretos, beneficiando 12 setores econômicos — desde microempreendedores até grandes grupos industriais e o agronegócio. Para os coordenadores do Fórum dos Servidores Públicos de MS, a matemática do governo demonstra prioridades invertidas: sobram recursos para abrir mão de impostos do empresariado, mas falta margem para a valorização de quem toca os serviços públicos essenciais na Capital.
Servidores buscam apoio na ALEMS

Em março deste ano, o Fórum dos Servidores realizou mobilização na Assembleia Legislativa e protocolou um ofício junto à presidência da ALEMS exigindo uma pauta coletiva:
- Audiências Públicas: Debater de forma transparente a valorização das carreiras e frear a terceirização do serviço público.
- Novos Concursos: Suprir o déficit de pessoal nas repartições do Estado, concentradas majoritariamente em Campo Grande.
- Lupa na Renúncia Fiscal: Avaliar o real impacto social e econômico das isenções bilionárias concedidas às empresas enquanto o salário do servidor é corroído pela inflação.
Fonte: Roberta Cáceres / Jornal Servidor Público MS
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