6×1: Governo resiste a retirar urgência de projeto e aceita custo político

Fachada do Palácio do Planalto em Brasília • Antônio Cruz/ Agência Brasil

Deputados cobram previsibilidade; Planalto quer evitar que tema perca espaço

O governo federal decidiu bancar o custo político de manter a pauta da Câmara travada para preservar uma de suas principais bandeiras. Apesar da pressão de líderes partidários para destravar o calendário de votações, o Planalto não pretende retirar a urgência constitucional do PL (Projeto de Lei) que trata do fim da escala 6×1.

Segundo relatos de aliados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem defendido a manutenção da urgência por considerar que ela é a principal garantia de que o tema continuará entre as prioridades do Congresso.

A avaliação do governo é que retirar o mecanismo agora aumentaria o risco de a proposta perder espaço na agenda legislativa.

O projeto de lei elaborado pelo governo foi enviado à Câmara com mecanismo de urgência constitucional, o que limita o avanço de outras matérias na Casa. O debate ocorre paralelamente à PEC do fim da escala 6×1, já aprovada pelos deputados e atualmente em análise no Senado.

O impasse ficou evidente na reunião do Colégio de Líderes da Câmara desta terça-feira (9). Parlamentares tentaram avançar na definição da agenda da Casa para as próximas semanas, mas a conversa acabou adiada em razão do trancamento da pauta provocado pela urgência do projeto.

Nos bastidores, deputados têm pressionado por maior previsibilidade sobre o calendário de votações. Com a aproximação das festas juninas e do período eleitoral, cresce o interesse de parlamentares em ampliar a permanência em suas bases e reduzir deslocamentos para Brasília.

Ainda assim, o governo considera que o custo político do impasse é menor do que o de ver esse tema perdendo força no Congresso. A defesa do fim da escala 6×1 ganhou espaço no discurso do PT e virou bandeira eleitoral.

O tema deve voltar à mesa de negociação na próxima semana, quando os líderes retomarão a discussão sobre o calendário de votações da Câmara.

Fonte: cnnbrasil.com.br/Blog Julliana Lopes

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