Após Operação Cascalhos de Areia, serviço piora nos bairros, mas Adriane eleva gastos em 27%
Ônibus do transporte coletivo atolou no Bairro Cristo Redentor e Capital volta a ter cenas do século passado (Foto: Reprodução)
A Operação Cascalhos de Areia, deflagrada em 2023 pelo Ministério Público Estadual, denunciou três empresas pelos crimes de corrupção, fraude em licitações e organização criminosa, além do desvio de R$ 45 milhões da prefeitura para manutenção de ruas sem asfalto. Mas tudo isso não foi suficiente para que a prefeita Adriane Lopes (PP) cancelasse os contratos com as investigadas, pelo contrário ela aumentou em 27% os repasses para as empresas alvos da operação.
Levantamento do O Jacaré baseado em dados do Portal da Transparência, mostram que em 2023, ano da operação, as empresas Engenex Construções e Serviços Ltda, André L. dos Santos e MS Brasil Comércio e Serviços Ltda receberam R$ R$ 24.219.326,45 da prefeitura. Mas em 2024, o montante subiu para R$ 30,9 milhões, ou seja 27,8% a mais.
Das três, a empresa do polêmico André Luiz dos Santos, o André Patrola, foi a que teve o maior aumento no repasse após a operação. Foram 61% a mais em 2024, com recebimentos que passaram de R$ 4,1 milhões no ano da operação, para R$ 6,6 milhões no ano seguinte. André Patrola já foi condenado por corrupção, denunciado na Cascalhos de Areia e segue ganhando contratos na prefeitura de Campo Grande.
Em 2026, venceu licitação da gestão Adriane Lopes de R$ 6,4 milhões para recapeamento de ruas. Ele também mantem contratos de locação de máquinas para a prefeitura e é apontado pelo MPMS como dono oculto da empresa MS Brasil Comércio e Serviços Ltda, que também mantém contratos milionários e foi denunciada na Cascalhos de Areia.
Entre 2023 e 2024, a MS Brasil Comércio e Serviços recebeu 7,42% a mais da prefeitura de Campo Grande, mesmo com as denúncias. Mas o que chama atenção são os valores que a empresa recebe para locação de maquinário, sendo R$ 26,3 milhões em 2022, R$ 14,9 milhões em 2023 e R$ 16 milhões em 2024.

Mas porque isso importa?
Os números mostram que Adriane Lopes não considerou as denúncias do Ministério Público e continuou pagando as empresa investigadas, mas também mostra que o investimento na manutenção de ruas sem asfaltou aumentou em 2024, mesmo assim, nunca se reclamou tanto das condições dessas ruas em Campo Grande.
Os contratos das três empresas são para locação de máquinas e manutenção dessas ruas sem asfalto. Mas o levantamento mostra que a prefeitura reduziu em 32% os investimentos nessas empresas em 2025, depois da alta de 27% em 2024, ano em que Adriane Lopes foi reeleita.
O resultado a população tem sentido no dia a dia. Ruas totalmente intransitáveis, dificuldade para entrar e sair de casa, carros atolados e até tubulações de água expostas em meio as crateras que tomam conta das ruas. No período de chuva então, é perrengue que não termina.

Fonte: ojacare.com.br/By Priscilla Peres