Rial comandava “consórcio criminoso voltado ao desvio de recursos públicos”, diz MPE
Operação Buraco Sem Fim descobre que parte do dinheiro destinado a tapar os buracos era desviada na Capital (Foto: Arquivo)
Investigação do promotor de Justiça do Patrimônio Público, Humberto Lapa Ferri, aponta que existia um “esquema de corrupção sistêmico” na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos. Principal alvo da Operação Buraco Sem Fim, a Rial Construtora comandava “consórcio criminoso voltado ao desvio de recursos públicos” da Prefeitura de Campo Grande.
As conclusões constam do inquérito que levaram a deflagração da Operação Buraco Sem Fim, na última terça-feira (12), e a prisão de sete pessoas, entre as quais o dono da empreiteira, Antônio Jacques Pedrosa Júnior, e o pai, Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, o Peteca.
Aliás, o MPE acusa do patriarca de ser “sócio oculto” na construtora. Ele manipulava de forma deliberada e sistemática das medidas de serviços em que os pagamentos não correspondiam ao trabalho efetivamente realizado.
A Rial recebeu R$ 113,7 milhões da prefeitura entre 2018 e 2025 – o valor representa 47% dos R$ 239,6 milhões destinados a Operação Tapa-buracos no período. Parte do dinheiro foi desviado por meio do pagamento de serviços não realizados.
Uma auditoria do MPE na manutenção das vias não pavimentadas mostrou que a construtora só executou 3% do serviço pago pelo município. A perícia mostrou que a Rial entregou 156 metros cúbicos de material, mas recebeu pelo equivalente a 4.260 metros cúbicos.
“Os valores pagos à empresa, contudo, não correspondiam aos serviços efetivamente prestados, uma vez que as medições eram manipuladas com o propósito de permitir o locupletamento dos representados e de outros investigados de dinheiro público”, apontou o promotor.
No relatório, o promotor aponta que o então superintendente de Serviços Públicos da Sisep, Mehdi Talayeh, encomendava medições e pediu que a Rial fosse priorizada para agilizar o pagamento para a construtora dos Pedrosa.
Sete presos
A juíza May Melke Penteado Amaral Siravegna, do Núcleo de Garantias, decretou a prisão dos sete para tentar frear a corrupção na Secretaria de Infraestrutura.
Continuam presos o ex-secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, Rudi Fiorese; Mehdi Talayeh, Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula, Fernando de Souza Oliveira, Edivaldo Aquino Pereira e os empresários Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa e Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa.

Fonte: ojacare.com.br/By Edivaldo Bitencourt