Após mortes de crianças e privatização fracassar, Sesau deve remodelar rede de saúde
Grupo de trabalho criado pelo secretário de Saúde, Marcelo Vilela, tem 90 dias para entregar um panorama sobre a rede de atendimentos. (Foto: Reprodução)
O secretário de Saúde de Campo Grande, Marcelo Vilela, criou um grupo de trabalho para reavaliar a estrutura e o funcionamento da Rede de Assistência à Saúde da Capital. A medida foi tomada após a morte de um menino de 9 anos e de uma menina de 8 anos. Ambos passaram por diversos atendimentos, mas acabaram perdendo a vida, o primeiro caso teve repercussão nacional.
A crise é tamanha que a prefeita Adriane Lopes (PP) planejou terceirizar a gestão da saúde, iniciando com os Centros Regionais de Saúde dos bairros Tiradentes e Aero Rancho pelo prazo de 12 meses. O projeto foi barrado pela Câmara de Vereadores, por 17 votos a 11.
Desde o início da gestão Adriane, a população sofre com a falta de remédios, materiais para exames, longo tempo de espera por consultas com médicos especializados e cirurgias eletivas. São milhares de pacientes aguardando até uma década por cirurgia, conforme denúncia do Ministério Público Estadual.
Para solucionar a falta leitos de internação, Adriane ensaiou construir o hospital municipal. A licitação bilionária quase foi vencida por uma empresa ré por desvios milionários na saúde. O certame acabou cancelado sem iniciar a obra do hospital.
O ponto mais crítico é a morte de crianças por falhas no atendimento à saúde. O primeiro caso ocorreu em 7 de abril, com a morte do menino João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, que causou espanto no país, pois a criança machucou o joelho e acabou falecendo dias depois devido à infecção, mesmo tendo sido medicada e passado por diversos atendimentos.
E o caso mais recente é o da Hannah Julia, de 8 anos, morta em 29 de abril, depois de passar por quatro unidades de saúde, incluindo três atendimentos na UPA Leblon.
Com as mortes e o fracasso da privatização, o titular da Secretaria Municipal de Saúde, Marcelo Vilela, constatou a necessidade de reavaliar a estrutura e o funcionamento da Rede de Assistência à Saúde (RAS) para garantir maior eficiência, acesso e integralidade no cuidado aos campo-grandenses.
O grupo de trabalho foi instituído em publicação no Diário Oficial de Campo Grande desta segunda-feira (11). A equipe, formada por servidores de diversas áreas da Sesau, deverá apresentar um relatório conclusivo, contendo diagnóstico, diretrizes e propostas para a reorganização da RAS, no prazo de 90 dias, a contar a partir de hoje.
A participação no grupo de trabalho é considerada serviço público relevante, portanto não haverá adicional ao salário dos seus integrantes.
Fonte: ojacare.com.br/By Richelieu de Carlo