Criada há 2 anos e capital de R$ 80 mil, empresa de MS ganha contrato bilionário da Lotesul

Sede da empresa fica no Carandá Bosque (Foto: Osmar Veiga/Campo Grande News)

Quase quatro meses após o Governo do Estado lançar a licitação da Lotesul, a empresa Dodmax Tecnologia foi aprovada na Prova de Conceito. O resultado publicado no Diário Oficial desta sexta-feira (08), consolida a única participante de Mato Grosso do Sul como a vencedora do certame de R$ 51 milhões/ano da loteria estadual.

A Dodmax foi a 4ª empresa a participar da licitação da Lotesul e ofereceu 31% de repasse ao governo. Como o contrato pode chegar a 35 anos, o faturamento garantido seria de R$ 1,7 bilhão. A empresa foi criada há dois anos, tem sede em Campo Grande e capital social de R$ 80 mil.

A Prova de Conceito desclassificou outras três empresas, a Idea Maker Meios de Pagamentos (paulista), Prohards (empresa paulista está no ramo de jogos desde 2010 e integra o consórcio WLC Paraná) e Lottopro (aberta em setembro de 2024, com capital social de R$ 20 milhões).

A Dodmax foi fundada em julho de 2024, pertence ao pecuarista  Mauro Luiz Barbosa Dodero. O empresário integrou diretoria da Acrissul e atua em outras empresas. Dodero também tem uma empresa de locação de veículos em Campo Grande.

Histórico complexo

Em março do ano passado, três empresas disputavam a licitação da Lotesul e o maior lance era de 21,57%. Porém, o certame foi suspenso após o empresário Jamil Name Filho, preso desde de setembro de 2019 e condenado a mais de 70 anos, questionar o processo e denunciar o direcionamento na licitação da loteria de Mato Grosso do Sul.

A Criativa Technology comandada por Sérgio Donizete Baltazar, de Dourados, também apontou irregularidades na época. Meses depois, em novembro, a 4ª fase da Operação Sucessione mostrou que a suposta organização criminosa comandada pela família Razuk pretendia assumir a nova Lotesul (Loteria de Mato Grosso do Sul), com perspectiva de faturar R$ 51 milhões por ano. Baltazar também foi preso nessa operação.

De acordo com a investigação, o deputado estadual Neno Razuk (PL), junto com o pai, o ex-deputado estadual Roberto Razuk, e os dois irmãos, Rafael Godoy Razuk e Jorge Razuk Neto, planejava levar o jogo do bicho para Goiás e brigar com o controlador da jogatina naquele estado, conhecido como “Cachoeira de Goiânia”. Havia até um investidor não identificado disposto a aplicar R$ 30 milhões na empreitada.

Apontado como um dos patriarcas do poder paralelo no Estado há décadas, ao lado dos empresários Jamil Name e Fahd Jamil, que foram presos na Operação Omertà, o clã da família Razuk, apesar da saúde debilitada e dos graves problemas de saúde, continuava com poder sobre a organização criminosa.

Fonte: ojacare.com.br/By Priscilla Peres

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