Ciro Nogueira já apoiou Lula e Bolsonaro: veja trajetória do senador

Ciro Nogueira – Imagem: Sérgio Lima 12.abr.2013/Folhapress

O senador Ciro Nogueira, alvo de busca da PF no caso Master, hoje é aliado de Bolsonaro e um dos principais nomes da oposição. O parlamentar, no entanto, também já declarou voto em Lula, apoiou governos petistas e integrou a base de praticamente todos os presidentes desde os anos 1990.

O que aconteceu
A trajetória de Ciro começou no antigo PFL. Ele chegou à Câmara dos Deputados em 1995, eleito pelo então PFL, partido que mais tarde daria origem ao Democratas. Desde o início da carreira em Brasília, Ciro se aproximou de governos de diferentes correntes políticas e consolidou espaço no chamado Centrão.

Ciro apoiou Fernando Henrique Cardoso nos anos 1990. Durante os mandatos de Fernando Henrique Cardoso, o então deputado integrou a base aliada do PSDB no Congresso. O movimento seria repetido posteriormente nos governos petistas, emedebistas e bolsonaristas.

A aproximação com o PT cresceu nos governos Lula. Já filiado ao PP, Ciro Nogueira tornou-se aliado das gestões petistas e fortaleceu a relação com Lula especialmente por interesses políticos no Nordeste e no Piauí. Em entrevistas posteriores, chegou a afirmar que o petista havia sido “o melhor presidente” do país, sobretudo para a região Nordeste.

Crítico do PT, Ciro Nogueira já posou em outdoor ao lado de Lula – Imagem: Reprodução

O senador também apoiou Dilma Rousseff. Durante boa parte do governo de Dilma Rousseff, Ciro permaneceu na base aliada do PT. O rompimento ocorreu apenas no processo de impeachment de 2016, quando votou a favor do afastamento da presidente. À época, afirmou que havia tentado preservar a estabilidade política, mas avaliou que isso se tornou inviável.

Em 2017, Ciro elogiava Lula e criticava Bolsonaro. Em entrevista, o senador afirmou que tinha “restrições” a Bolsonaro e classificou o então deputado como “fascista” e “preconceituoso”. Na mesma conversa, declarou apoio a Lula para a eleição presidencial de 2018.

Na eleição de 2018, o senador vinculou sua imagem ao petismo. Durante a campanha para a reeleição ao Senado, Ciro Nogueira gravou vídeos dizendo “sou Lula” e apoiou publicamente a candidatura de Fernando Haddad no segundo turno contra Bolsonaro.

Campanha de Ciro Nogueira (PP-PI) ao Senado em 2018. “Sou Lula”, diz o senador, que hoje apoia Bolsonaro – Imagem: Reprodução/YouTube

Governo Bolsonaro
A relação com Bolsonaro mudou durante o governo. Com o fortalecimento do Centrão no Palácio do Planalto, Ciro aproximou-se do então presidente e virou um dos principais articuladores políticos do governo no Congresso. Em 2021, foi escolhido ministro da Casa Civil, cargo considerado um dos mais importantes da Esplanada.

O senador se tornou um dos principais aliados do bolsonarismo. Na reta final do governo, Ciro atuou como defensor político de Bolsonaro e ajudou a consolidar a aliança entre o PL e partidos do Centrão. Após a derrota do ex-presidente para Lula em 2022, foi o responsável por conduzir parte da transição de governo.

Jair Bolsonaro e, Ciro Nogueira – Imagem: Isac Nóbrega/PR

Lula 3
Depois da eleição de Lula, Ciro migrou para a oposição. Em dezembro de 2022, afirmou que não participaria da posse presidencial e declarou que trabalharia pela volta de Bolsonaro ao Planalto em 2026. “Vou ficar os quatro anos na oposição”, disse na ocasião.

Apesar da oposição, o senador manteve pontes com Lula. Em entrevista ao UOL em 2023, Ciro afirmou ter “carinho pessoal” pelo presidente, embora descartasse voltar a apoiá-lo politicamente. Já em 2025 e 2026, intensificou o discurso oposicionista e passou a defender o desembarque completo do PP do governo petista.

Em 2026, Ciro segue próximo do campo bolsonarista. O senador participa das articulações da federação entre PP e União Brasil para apoiar um nome ligado ao bolsonarismo na próxima eleição presidencial. Nos bastidores, também aparece citado como possível integrante de uma futura chapa de oposição a Lula.

Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro – Imagem: Agência Senado.

Fonte: noticias.uol.com.br/Lucas AlmeidaDo UOL, em São Paulo

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