Vereadores impõem derrota a Adriane e rejeitam tirar dinheiro da saúde para dar a OSs

17 vereadores foram responsáveis por descartar projeto de terceirização da saúde. (Foto: Reprodução)

A Câmara Municipal de Campo Grande derrubou o projeto de lei da prefeita Adriane Lopes (PP) que buscava retirar dinheiro da saúde para dar a organizações sociais administrarem Centros Regionais de Saúde. A sessão desta terça-feira (5) contou com plenário lotado de servidores, que viram 17 vereadores votarem contra o PL 12.405/26, e 11 apoiarem a proposta da prefeitura.

Esta é a primeira grande derrota de Adriane Lopes no Legislativo. No início deste ano, a prefeita levou a melhor sobre o aumento abusivo da taxa do lixo no IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e conseguiu manter o veto que assegurou o aumento de até 396% e pesou no bolso dos campo-grandenses.

Certa de que conquistaria uma vitória, Adriane apresentou o projeto que previa contratar uma organização social para gerir os CRSs dos bairros Tiradentes e Aero Rancho pelo prazo de 12 meses. Inicialmente, a proposta recebeu sete emendas dos parlamentares, e foi à votação com mais sete, totalizando 14 dispositivos adicionais ao plano do Executivo.

No entanto, tanto o projeto de lei quanto as emendas foram arquivados após votação histórica. 

O debate sobre a terceirização da saúde teve a predominância de críticas. O vereador Marquinhos Trad (PV) lembrou que Adriane Lopes, na campanha à reeleição em 2024, prometeu não fazer privatizações. Evangélica, a prefeita falou uma coisa na campanha eleitoral e está implementado outra na prática, conforme o ex-aliado. O ex-prefeito disse ainda que  “meta de quantidade não é sinônimo de qualidade” e “terceirizar a saúde é assinar o atestado de incompetência”.

Jean Ferreira (PT) recordou que até poucos meses atrás a Capital não tinha um secretário e ordenador de despesas da Secretaria Municipal de Saúde. O petista ponderou que “ainda que a privatização fosse a solução, como levar a sério essa medida nessa gestão?”, que classificou como irresponsável.

A vereadora Luiza Ribeiro (PT) defendeu que o projeto é inconstitucional e que Adriane “está precarizando intencionalmente o serviço de saúde pública”.

Flávio Cabo Almi e Dr. Victor Rocha, ambos do PSDB, destacaram que o problema da saúde da Capital é a “má gestão” e defenderam a valorização dos servidores do setor.

Em apoio ao projeto da prefeita Adriane Lopes, o vereador Rafael Tavares (PL) disse que está “do lado das pessoas que querem uma saúde melhor em Campo Grande” e atacou sindicatos. 

O líder da prefeita na Câmara, vereador Beto Avelar (PP), relatou que é cobrado pela população todos os dias por mudanças na saúde.

“Estamos sendo cobrados diariamente para uma mudança na saúde de Campo Grande. A terceirização já deu certo em outras cidades, em outras Capitais. Se não der certo aqui, é um ano e a gente extingue esse projeto das OSs”, defendeu o pepista.

Após o debate, a votação terminou com 17 vereadores contra o projeto de lei e 11 foram favoráveis. O presidente Epaminondas Vicente Neto, o Papy (PSDB), declarou o resultado para a comemoração dos servidores presentes no plenário.

Os vereadores que votaram contra privatizar a saúde:

  • André Salineiro (PL)
  • Ana Portela (PL)
  • Delei Pinheiro (PP)
  • Dr. Jamal Salem (MDB)
  • Dr. Lívio Leite (União Brasil)
  • Dr. Victor Rocha (PSDB)
  • Fábio Rocha (União Brasil)
  • Flávio Cabo Almi (PSDB)
  • Jean Ferreira (PT)
  • Landmark Rios (PT)
  • Luiza Ribeiro (PT)
  • Maicon Nogueira (PP)
  • Marquinhos Trad (PV)
  • Otávio Trad (PSD)
  • Ronilço Guerreiro (Podemos)
  • Silvio Pitu (PSDB)
  • Veterinário Francisco (União Brasil)

Confira quem apoiou a privatização:

  • Beto Avelar (PP)
  • Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB)
  • Clodoilson Pires (Podemos)
  • Herculano Borges (Republicanos)
  • Júnior Coringa (MDB)
  • Leinha (Avante)
  • Neto Santos (Republicanos)
  • Professor Juari (PSDB)
  • Professor Riverton (PP)
  • Rafael Tavares (PL)
  • Wilson Lands (Avante)

Gestão desastrosa

Desde o início da gestão Adriane Lopes, a população sofre com a falta de remédios, materiais para exames, longo tempo de espera por consultas com médicos especializados e cirurgias eletivas. São milhares de pacientes aguardando até uma década por cirurgia, conforme denúncia do Ministério Público Estadual.

Para solucionar a falta leitos de internação, Adriane ensaiou construir o hospital municipal. A licitação bilionária quase foi vencida por uma empresa ré por desvios milionários na saúde. O certame acabou cancelado sem iniciar a obra do hospital.

Nos últimos dias, crianças e jovens morreram por falta da precariedade no atendimento na saúde. Sem capacidade para gerir os recursos parcos existentes, a prefeita optou por gastar mais, já que vai precisar pagar para a empresa assumir a gestão dos postos de saúde.

Enquanto isso, o povo sofre e corre o risco de morrer por falta de atendimento. Isso sem falar nos buracos nas ruas e no política de aumentar IPTU e taxa do lixo em até 396%. Enquanto o sacrifício é imposto ao povo e aos servidores, sem reajuste pelo 4º ano consecutivo, o salário da prefeita e dos secretários sobe todo ano.

Os 11 vereadores a favor de Adriane Lopes e contra o povo de Campo Grande

Coincidentemente, o número de apoiadores é o mesmo número do partido de Adriane. Votaram para tirar dinheiro da saúde, que não consegue nem comprar remédios, para pagar uma empresa privada para administrar os postos de saúde (Foto: Arquivo)

Fonte: ojacare.com.br/By Richelieu de Carlo

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