Educação em luta: professores ocupam o coração da Capital e erguem suas vozes contra o desmonte e pela valorização da escola pública

Professores e professoras da rede pública ocuparam, na manhã desta terça-feira (14), o cruzamento da rua 14 de Julho com a Avenida Afonso Pena, no coração de Campo Grande, em um ato marcado por vozes firmes, faixas erguidas e a urgência de quem há anos luta por respeito, valorização e cumprimento de direitos. A mobilização integra a programação local da 27ª Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública, construída nacionalmente pela CNTE, com articulação da FETEMS e protagonismo do Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública.

No centro da capital, o movimento chamou a atenção de quem passava e transformou o fluxo cotidiano em espaço de denúncia e resistência. Entre palavras de ordem e cartazes, a categoria reafirmou pautas históricas: o fim do desconto de 14% sobre aposentadorias, a realização de concurso público, o cumprimento do piso salarial do magistério, a valorização da educação pública e o posicionamento contrário à terceirização.

Presente no ato, o presidente da ACP, Gilvano Bronzoni, destacou que a mobilização é expressão de uma luta contínua, construída coletivamente ao longo dos anos. “Não se trata de um movimento pontual. É o acúmulo de uma história de enfrentamento em defesa da educação pública e dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. Quando ocupamos as ruas, levamos conosco a realidade das nossas escolas e a responsabilidade de não permitir retrocessos. A valorização da educação passa, necessariamente, pela valorização de quem faz a educação acontecer todos os dias”, afirmou.

A vice-presidente da ACP, Josefa dos Santos Silva, reforçou o caráter coletivo e representativo do ato, evidenciando a força da categoria. “Estamos aqui porque acreditamos na educação pública como um direito fundamental. Cada professor e professora que veio hoje representa muitos outros que também sentem, na prática, os impactos da falta de investimento e de reconhecimento. É a união da categoria que sustenta essa luta e nos impulsiona a seguir firmes”, pontuou.

Entre os manifestantes, a professora da ativa Bya Narçay trouxe à tona a realidade vivida nas unidades escolares. “Nós estamos dentro das salas de aula todos os dias, lidando com desafios que vão muito além do ensino. Falta estrutura, faltam condições adequadas de trabalho e, muitas vezes, falta reconhecimento. Estar aqui é dizer que não vamos naturalizar isso. Queremos condições dignas para ensinar e garantir uma educação de qualidade para nossos estudantes”, declarou.

A presença das professoras aposentadas também marcou o ato, evidenciando que a luta atravessa gerações. Adriana Banar, professora aposentada, destacou a indignação com o desconto previdenciário. “Depois de uma vida inteira dedicada à educação, seguimos sendo penalizadas. O desconto de 14% sobre as aposentadorias é injusto e desrespeitoso com quem já contribuiu tanto. Estar aqui hoje é reafirmar que continuamos na luta, não só por nós, mas por todos que ainda estão na ativa”, afirmou.

A mobilização desta terça-feira reafirma o papel do Sindicato como instrumento de organização e luta coletiva, capaz de levar às ruas as demandas da categoria e de tensionar o debate público sobre a educação. Em meio ao movimento intenso da cidade, professores e professoras transformaram o cruzamento em um território de resistência, onde cada voz ecoa a defesa inegociável de uma educação pública, gratuita, laica e de qualidade, sustentada por profissionais valorizados e respeitados.

Fonte: acpms.com.br/Assessoria de Imprensa/ Marithê do Céu

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