Paciente tem remissão do HIV após transplante de medula óssea do irmão
Este é o sexto caso reportado de remissão do HIV após transplante de medula óssea com mutação genética rara/Foto: Callista Images/Gettyimages
Um paciente de 63 anos teve remissão do HIV após um transplante de medula óssea do irmão. O doador tinha a mutação genética rara denominada de CCR5Δ32, que confere resistência ao vírus do HIV. O caso foi reportado em um artigo publicado nesta segunda-feira (13/4) na revista científica Nature Microbiology.
Apelidado de “paciente de Oslo”, o homem precisou do transplante para tratar uma síndrome mielodisplásica, um tipo de câncer no sangue. Este é o sexto caso reportado de remissão do HIV após o transplante de medula com essa mutação.
De acordo com o estudo, feito no Departamento de Hematologia do Hospital Universitário de Oslo, cinco anos após o transplante e três anos após interromper a terapia antirretroviral, o paciente não apresenta sinais de vírus replicante ou reservatórios virais intactos no sangue ou no intestino.
Apesar dos resultados positivos, o transplante não é uma solução para todas as pessoas com HIV. O procedimento tem uma mortalidade de 10% a 20% no primeiro ano. Devido a esse alto risco de vida, o transplante só é eticamente justificado em pacientes que já têm doenças malignas hematológicas fatais (como leucemia ou síndrome mielodisplásica) que, sem o transplante, seriam incuráveis
O paciente de Oslo era soropositivo desde 2006 e foi diagnosticado com câncer no sangue em 2017. Quando os médicos perceberam que ele precisaria de um transplante de medula, eles passaram a procurar um doador compatível que tivesse a mutação, para tentar a remissão do vírus. Mas não acharam. Então resolveram fazer o transplante pelas células do irmão, que era compatível. Quando foram fazer os exames, descobriram que o irmão tinha a mutação.
“É importante notar que a variante do gene CCR5Δ32 ocorre com maior frequência no norte da Europa, com um gradiente norte-sul em todo o continente, e a maioria dos casos relatados de remissão do HIV após TCTH alogênico se origina de regiões onde essa variante é relativamente comum”, destaca o artigo.
Fonte: metropoles.com/Thays Martins