Adriane quer gastar R$ 1,2 bi com novo hospital, mas maternidade está fechada há 10 anos
Antiga maternidade está abandonada (Foto: O Jacaré)
A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), retomou a licitação para a construção do hospital municipal. Enquanto prevê gastar R$ 1,2 bilhão com a construção do novo complexo hospitalar, ela mantém fechada a Maternidade das Moreninhas, abandonada há mais de uma década.
O Hospital da Mulher “Vó Honória Martins Pereira” conta com 25 leitos, que poderiam ajudar a desafogar a demanda por vagas em unidades hospitalares da Capital. Enquanto pacientes morrem por falta de leitos, a unidade das Moreninhas está fechada e depredada. O prédio é destruído diariamente, com verdadeiro desperdício de dinheiro público em uma das áreas mais sensíveis.
A falta de leitos hospitalares em Campo Grande é um problema crônico e que todo ano leva a saúde ao colapso, principalmente durante o aumento de doenças respiratórias. Mas enquanto se discute a construção de um novo hospital, estrutura que já abrigou muitos pacientes apodrece em meio ao abandono.
Em 2023, o Conselho Municipal de Saúde aprovou o uso do espaço da antiga maternidade em um Caps (Centro de Atendimento Psicossocial). Mas, questionado sobre o assunto, o conselho disse que até onde sabem “o projeto está parado”.
A prefeitura de Campo Grande preferiu não responder a solicitação. Enquanto isso, a cidade caminha para o período mais crítico do ano, com aumento de casos de doenças respiratórias e falta de leitos para internação, principalmente pediátricos.
Faltam leitos
Dados do Ministério da Saúde mostram que Mato Grosso do Sul 6.690 leitos, dos quais 4.556 leitos são de atendimento público, via SUS. Portanto, um leito SUS a cada 607 habitantes dos cerca de 2,7 milhões de habitantes do Estado.
Na prática, Mato Grosso do Sul está longe de seguir o que é recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), de 3 a 5 leitos para cada mil habitantes. Mesmo com aumento de 481 leitos SUS nos últimos dez meses, o número de leitos disponíveis em hospitais que atendem SUS está muito aquém do necessário para atender toda a população.
Outra questão grave é a falta de leitos em maternidades e UTI neonatal. São apenas 554 atendendo leitos obstétricos SUS no Estado e 490 leitos pediátricos SUS.
A Maternidade Cândido Mariano, em Campo Grande é responsável por cerca de 60% dos partos realizados na Capital, sendo o único espaço público para nascimentos.
Levantamento da AMIB (Associação de Medicina Intensiva Brasileira), mostra que Mato Grosso do Sul tem apenas 62 leitos de UTI neonatal SUS (Sistema Único de Saúde). Isso equivale à média de 1,5 leito SUS a cada 1 mil nascidos vivos. O recomendado pela Organização Mundial de Saúde é de 4 leitos por 1 mil nascidos vivo.

Falta dinheiro para povo, mas para empresas..
O estilo de Adriane Lopes administrar expõe as prioridades da afilhada da senadora Tereza Cristina (PP). Enquanto moradores da Capital sofrem com espera interminável por consulta médica com especialista, exames médicos e cirurgias, a prefeita quer destinar R$ 3,9 milhões para contratar uma organização social para administrar os centros regionais de saúde dos bairros Aero Rancho e Tiradentes.
Atualmente, exames de urina estão suspensos por falta de etiqueta. O problema parece simples para o cidadão comum, mas não é solucionado pelo secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela. Ele promete solucionar a falta de remédios apenas em abril.
Quando foi candidato à reeleição, em 2024, Adriane, que é evangélica e missionária da Assembleia de Deus Missões, comprometeu-se a resolver o problema ainda no final daquele ano. Reeleita e um ano e meio depois, a prefeita ainda não cumpriu a promessa.
E conforme os médicos da Santa Casa de Campo Grande, que já apelaram à polícia em mais de uma ocasião, pacientes correm risco de morte e até morrem por falta de remédios e insumos hospitalares. É a Capital em colapso devido a uma gestão mambembe e que não prioriza o seu povo.

(colaborou Edivaldo Bitencourt)
Fonte: ojacare.com.br/By Priscilla Peres