Adriane dá R$ 10,7 milhões em contratos de recapeamento a rés por corrupção e fraude
Prefeitura quer recapear as 5 regiões da cidade, mas não consegue acabar com os buracos (Foto: O Jacaré)
A prefeita Adriane Lopes (PP) homologou R$ 10,7 milhões em contratos de recapeamento com duas empresas denunciadas por corrupção, desvios milionários e fraude. A A.L. dos Santos, do polêmico André Luiz dos Santos, o André Patrola, denunciada pelo desvio de R$ 45 milhões na Operação Cascalhos de Areia é uma das contempladas.
André Patrola foi condenado por corrupção passiva no esquema envolvendo o procurador aposentado da Câmara Municipal, André Luiz Scaff. No entanto, devido a morosidade da Justiça, ele acabou se librando da cadeia com a prescrição do crime.
No entanto, a construtora e o empresário foram denunciados pelo desvio de R$ 45 milhões por meio dos contratos de manutenção de vias não pavimentadas e locação de máquinas, escândalo revelado na Operação Cascalhos de Areia.
Apesar do passado, a prefeita homologou o contrato de recapeamento com a A.L. dos Santos no valor de R$ 6,153 milhões. A empresa continua sob investigação do Ministério Público Estadual.
Denunciada pelo desvio e fraude na Operação Tapa-buracos na gestão de Nelsinho Trad (PSD), a Asfaltec Usina de Asfalto e Tecnologia foi contemplada com outro contrato de recapeamento, no valor de R$ 4,569 milhões.
O MPE acusou a empresa de fraude na licitação e receber o dinheiro sem tapar os buracos. Agora, vai ser contemplada para recapear ruas e avenidas da Capital. As duas empresas envolvidas em escândalos vão receber R$ 10,7 milhões, 28% dos R$ 37,6 milhões firmados em contratos de recapeamento.
Apesar da prefeitura estar quebrada financeiramente, a prefeita opta por empresas envolvidas em escândalos de corrupção e acusadas pelo MPE de não executar o serviço contratado.
R$ 37 milhões em recapeamento
A prefeitura contratou seis empresas por R$ 37,6 milhões para recapear as ruas de Campo Grande, no que tem chamado de um “programa inédito de recapeamento de ruas e avenidas”. A medida acontece após a gestão de Adriane Lopes (PP) ficar chacota pela péssima infraestrutura das ruas e os milhares de buracos, mas o que chama atenção é o envolvimento das empresas contratadas em escândalos de corrupção.
Dois dos sete contratos são com a Construtora Rial e somam R$ 10,8 milhões, com a Relevo Engenharia o contrato é de R$ 5,2 milhões, com a Gradual Engenharia e Consultoria são R$ 4,7 milhões e a RR Barros Serviços e Construções vai receber R$ 6,1 milhões.
De acordo com a própria prefeitura, os valores incluem apenas execução dos serviços, sem o material, que será fornecido pelo Consórcio Municipal. O município que sempre manteve contratos para tapa-buracos, afirma que este é um modelo inovador para todas as sete regiões urbanas, com uma empresa responsável por cada área. Os contratos podem chegar a 10 anos.
Confira os contratos:
- Construtora Rial – R$ 6.763.196,87
- RR Barros Serviços e Construções R$ 6.199.000,00
- Gradual Engenharia e Consultoria R$ 4.702.673,71
- Construtora Rial R$ 4.045.000,00
- Relevo Engenharia R$ 5.220.414,62
- Asfaltec Usina de Asfalto e Tecnologia R$ 4.469.999,53
- Andre L. dos Santos R$ 6.453.797,28
Crise financeira
Os contratos milionários e que prometem um recapeamento inédito nas ruas de Campo Grande, foram firmados dias após Adriane Lopes prorrogar o decreto de corte de gastos do município. No fim de fevereiro ela determinou corte de 25% nas contas municipais, incluindo consumo de água, energia elétrica, impressão, combustíveis e prestação de serviços terceirizados.
Inclusive as repartições públicas estão com meio expediente, para economizar. Em janeiro, divulgou amplamente as dificuldades financeiras, para justificar o aumento abusivo de 396% no IPTU 2026. Também chegou a dizer que a buraqueira generalizada nas ruas da Capital eram consequência da falta de recursos para investimentos.
Fonte: ojacare.com.br/By Priscilla Peres