Prefeitura reabre certame e licitação do Hospital Municipal fica para junho de 2026
Vista aérea do projeto do Hospital Municipal de Campo Grande. (Foto: Divulgação)
A prefeitura de Campo Grande reabriu o processo de licitação para construção do Hospital Municipal e a nova data prevista para o certame é 19 de junho de 2026. Essa será a segunda tentativa de encontrar uma empresa interessada a construir a unidade, no sistema Built to Suit (locação sob demanda).
Sem alterações no edital, a prefeitura publicou nesta segunda-feira (16), a abertura do certame. No último dia 10, havia informado que as duas empresas interessadas foram desclassificadas por não atenderem os pré-requisitos e a proposta era de fazer ajustes técnicos.
Porém, não foi publicado um novo edital, apenas o valor estimado de R$ 5.142.403,37. Com o novo prazo, a promessa do hospital municipal vai chegar a 2 anos sem sair da fase de licitação.
A licitação que foi lançada em julho de 2024, tinha duas empresas interessadas: a Health Brasil Inteligência em Saúde com proposta de R$ 5.142.403,37 e a F C Brito Neres Engenharia & Serviços, com proposta de R$ 5.137.400,37. No Diário Oficial desta quarta-feira (11), foi publicado aviso de que a licitação foi fracassada.
Investigações e ação judicial
Mesmo antes de contratar empresa para a construção do hospital municipal, a obra é alvo de ação na justiça. Ainda em 2024 , o vereador André Luís Soares Fonseca, o Professor André (PRD), ingressou com ação popular para suspender o processo.
O parlamentar argumentava que a prefeitura não realizou audiência pública nem apresentou o Estudo de Impacto da Vizinhança para construir o hospital com 250 leitos no bairro Chácara Cachoeira. Além de ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) por gerar despesas no fim do mandato da prefeita.
A prefeitura se defendeu e o juiz Ariovaldo Nantes Corrêa, da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, negou liminar para suspender o processo de seleção para contratação da empresa.
Outro item que pesou no processo do hospital municipal é que a Health Brasil Inteligência em Saúde é ré pelo desvio de R$ 46 milhões do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul e de R$ 2,028 milhões do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).
Em decisão mais recente, juiz Ariovaldo Nantes Corrêa, concluiu que só existe “boa vontade” da prefeita Adriane Lopes (PP) em construir o hospital municipal, já que ainda não há nem data para que as obras comecem.
Promessa de campanha
A construção de um Hospital Municipal e o consequente alívio para a saúde de Campo Grande é uma promessa que se estende há décadas, mas que foi muito usada por Adriane Lopes em sua campanha, em 2024.
Ela chegou a lançar o projeto do complexo hospitalar em julho de 2024, três meses antes da eleição. Acontece que passados quase dois anos, o projeto começa a caminhar para, mais uma vez, não sair do papel.
Um hospital municipal é visto como a estrutura que falta para aliviar a saúde de Campo Grande, visto que a Capital não tem nenhum hospital próprio e concentra pacientes nas unidades básicas de saúde e na Santa Casa, que passa por sucessivos episódios de colapso, além de atender pacientes de todo o Mato Grosso do Sul.
Considerando que Adriane tem 2 anos e 9 meses de mandato pela frente e o processo licitatório, bem como a obra, são longos, ela corre o risco de não conseguir cumprir com sua promessa.
Conforme o projeto, o complexo hospitalar de Campo Grande deve ter capacidade de realizar cerca de 20 mil procedimentos por mês e deve ser construído em área do bairro nobre, Chácara Cachoeira.
Fonte: ojacare.com.br/By Priscilla Peres