Questionado pelo Fórum dos Servidores, requerimento sobre denúncias de atrasos no repasse de consignados pelo Governo é debatido na ALEMS
O assunto foi tema de ofício protocolado na Governadoria pelo Fórum questionando retenções indevidas em 2025; Assembleia Legislativa formaliza pedido de transparência para apurar falhas nos repasses bancários e sindicais
O impasse envolvendo os descontos em folha dos servidores públicos de Mato Grosso do Sul foi debatido nesta quarta-feira (04), pelos deputados estaduais, na Assembleia Legislativa (ALEMS). O que começou como uma cobrança administrativa direta do Fórum dos Servidores Públicos de Mato Grosso do Sul junto à Governadoria no dia 15 de janeiro deste ano, agora é objeto de um requerimento de informações debatido em plenário pela Casa de Leis.
O foco central da controvérsia é o atraso de valores referentes a empréstimos consignados e contribuições sindicais. Como ocorreu nos meses de novembro e dezembro de 2025, conforme ofício protocolado pelo Fórum dos Servidores. Embora os montantes tenham sido subtraídos dos salários dos funcionários, as instituições financeiras e sindicatos alegam atraso de, praticamente, duas folhas, no repasse, gerando transtornos financeiros.
Denúncia do Fórum
No dia 15 de janeiro, o Fórum dos Servidores formalizou uma ofensiva contra o que classificou como uma prática grave do Executivo. Ao protocolar um ofício na Governadoria, a coordenação do Fórum, liderada por Fabiano Reis, não buscou apenas o pagamento, mas respostas para três pilares críticos:
– A Motivação do Atraso: Esclarecimentos técnicos sobre por que o dinheiro saiu do bolso do servidor mas não chegou ao destino.
– O Risco Jurídico: O alerta de que a retenção sistemática configura, em tese, crime de apropriação indébita.
– Garantias Futuras: A exigência de medidas administrativas para que falhas operacionais não voltem a expor o servidor ao constrangimento de ser tratado como inadimplente pelos bancos.
Debate na ALEMS

De acordo com informações da assessoria da ALEMS, o deputado Zé Teixeira (PSDB) levou o assunto à tribuna nesta manhã. O parlamentar defendeu a aprovação do requerimento para que o Estado apresente informações oficiais e afaste boatos de crise financeira. “O Governo não deve nada. É melhor oficializar a mensagem de que não há dívida com nenhum sindicato nem instituição bancária”, afirmou o 2º vice-presidente da Casa.

Entretanto, o tom de “normalidade” foi contestado por outros parlamentares. Gleice Jane (PT) reitera que a transparência só será plena com a apresentação de extratos de pagamentos. “Precisamos de respostas da Ageprev, da instituição e Cassems”, cobrou a deputada, que já havia provocado o debate anteriormente.

Na condição de vice-líder do Governo, Pedrossian Neto (PSD), buscou minimizar o desgaste ao ler um comunicado da Secretaria de Fazenda. Segundo o documento, o que ocorreu foi uma “situação operacional” envolvendo o Banco do Brasil, que já teria sido solucionada.

Para o deputado Zeca do PT (PT), Mato Grosso do Sul está muito bem só para os grandes grupos econômicos. “Para o latifúndio, para grandes grupos que recebem todo o tipo de benefício fiscal. É necessário amenizar o sofrimento das comunidades indígenas absolutamente abandonadas na cidade e nas aldeias”, pontuou.
Fonte: Roberta Cáceres, com informações da ALEMS
Fotos: Luciana Nassar / ALEMS