Novo escândalo e Bolsonaro podem implodir dois dos quatro pré-candidatos ao Senado em MS
Gianni, Capitão Contar e Reinaldo disputam espaço na “lista” dos candidatos a senador de Bolsonaro (Foto: Arquivo)
Preso na Papudinha, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vai definir uma lista de candidatos a senador do partido em todo o País e pode implodir duas das quatro candidaturas do seu grupo em Mato Grosso do Sul. Outro escândalo de corrupção, que surgiu após a delação premiada homologada pelo Superior Tribunal de Justiça, também pode mudar o cenário na direita e extrema direita no Estado.
Atualmente, o PL conta com quatro pré-candidatos ao Senado: o presidente regional da sigla e ex-governador Reinaldo Azambuja; o ex-deputado estadual Capitão Contar, que disputou o segundo turno para o Governo na última eleição; a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira, mulher do deputado federal Rodolfo Nogueira; e o deputado federal Marcos Pollon, cuja mulher, Naiane Bittencourt, é a amiga da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
A princípio, os nomes definidos pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, são de Reinaldo e Capitão Contar. No entanto, Bolsonaro tem articulado direto da cadeia a definição dos seus nomes favoritos.
Em Santa Catarina, o ex-presidente rifou a candidatura à reeleição do senador Esperdião Amim (PP) e acabou com o acordo entre os dois partidos para apoiar a reeleição do atual governador. Ele decidiu que os candidatos serão o filho, o ex-vereador Carlos Bolsonaro e a deputada estadual Carol de Toni.
Bolsonaro também vai dar a palavra final sobre os candidatos no Estado. Ele não deverá endossar o plano do ex-governador, que prevê o lançamento de apenas um candidato pelo PL e fechar com outro partido para ampliar o leque de apoio à reeleição do governador Eduardo Riedel (PP).
O ex-presidente já mostrou que tem força nas últimas duas eleições do Senado em MS. Em 2018, ele conseguiu eleger Soraya Thronicke, até então uma advogada desconhecida e neófita na política. Em 2022, a ex-ministra Tereza Cristina foi a mais votada na história do Estado.
A instabilidade de Bolsonaro pode mudar o cenário no Estado. Nas eleições para prefeito de Campo Grande, o ex-presidente chegou a lançar Contar, João Henrique Catan, Tenente Portela e, por último, decidiu-se por Beto Pereira (PSDB).
O ex-presidente pode optar por nomes que lhe asseguram fidelidade, como Contar, Pollon ou Gianni, e poderão votar pelo impeachment de um ministro do STF. Tucano por três décadas e político profissional, Reinaldo pode adotar uma postura mais pragmática no parlamento.
No entanto, o ex-governador tem a candidatura garantida porque é o presidente regional do PL e comandará a convenção para definir os candidatos.
O outro problema de Reinaldo pode ser a delação premiada do ex-dirigente da Aegea, Hamilton Amadeo. Ele acusou o ex-tucano de ter recebido R$ 2 milhões em propina para pagar dívidas de campanha. O suposto pagamento teria sido feito por meio de notas frias emitidas pelas empresas Equipe Engenharia e HL Construtora, de acordo com reportagem do Uol.
Reinaldo negou as acusações e refutou que tenha firmado acordo com o CEO durante reunião em seu apartamento na Capital. O problema do presidente regional do PL pode ser a continuidade das investigações no STJ.
Ele já foi denunciado pelo MPF por recebera R$ 67,7milhões em propina da JBS em troca de incentivos fiscais. O ex-governador está com R$ 207,7 milhões bloqueados. A denúncia ainda não foi recebida pela STJ, apesar de ter sido protocolada pela subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo, no dia 15 de outubro de 2020. Reinaldo aposta na rejeição da denúncia para chegar forte na disputa de uma das duas vagas no Senado.
Apesar das denúncias, o ex-tucano já conta com o aval de vários bolsonaristas. No entanto, a lista de Bolsonaro pode implodir estratégias, destruir sonhos e afundar favoritos antes do início da campanha eleitoral em agosto deste ano.
Fonte: ojacare.com.br/By Edivaldo Bitencourt