UE reage aos 4 anos de guerra com demonstrações de apoio à Ucrânia

No Parlamento Europeu, eurodeputados promovem uma sessão extraordinária com participação por vídeo de Volodymyr Zelensky/Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Enquanto Bruxelas reforça o apoio público a Kiev, os vetos da Hungria e a decisão da Eslováquia de reduzir o fornecimento emergencial de eletricidade, que ajudava a cobrir déficits críticos na infraestrutura ucraniana durante ataques russos, expõem fissuras internas no bloco europeu.

Essas tensões, porém, não abalam a convicção da maioria dos países da UE, que, ao lado do Reino Unido, buscam impedir que Vladimir Putin avance em sua visão imperialista de expansão no continente.

Os prédios do Parlamento Europeu, do Conselho e da Comissão Europeia passaram a noite iluminados com as cores azul e amarela em mais um sinal de apoio do maior parceiro ucraniano neste conflito. Desde o início da invasão russa, em 24 de fevereiro de 2022, a União Europeia se consolidou como um dos principais pilares de suporte ao governo ucraniano, oferecendo assistência financeira e política.

Em Bruxelas, a data é lembrada com atos oficiais. No Parlamento Europeu, eurodeputados promovem uma sessão extraordinária com participação por vídeo do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Em Kiev, Zelenky se encontra pessoalmente com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, para uma cerimônia oficial e visita às infraestruturas atacadas pelos russos.

Apesar do apoio público, o clima nos bastidores da União Europeia é de apreensão. Um veto duplo da Hungria impediu a aprovação de um novo pacote de sanções contra Moscou e bloqueou um empréstimo bilionário destinado à Ucrânia.

Já é comum nas cúpulas do Conselho que o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, não assine declarações conjuntas e medidas relacionadas à guerra, mas nunca havia estabelecido um veto como o de agora.

O novo pacote da União Europeia previa € 90 bilhões em empréstimos para a Ucrânia nos próximos dois anos. Orbán havia concordado com o repasse em dezembro, sob a condição de que a ajuda não afetasse os orçamentos da República Tcheca, Hungria e Eslováquia.

A situação mudou depois que Hungria e Eslováquia acusaram Kiev de atrasar reparos em um oleoduto responsável pelo transporte de petróleo russo para os dois países, reabrindo um flanco sensível para governos que mantêm laços políticos e energéticos mais próximos de Moscou do que a média da UE.

No caso de Orbán, o premiê húngaro tem um histórico de travar sanções e de manter encontros públicos com Vladimir Putin, enquanto Robert Fico é um defensor de “relações normais” com a Rússia e crítico do apoio militar a Kiev.

Esse fornecimento de petróleo é constantemente motivo de discordância nas reuniões em Bruxelas e o episódio do oleoduto acirrou as divergências. Kiev argumenta que a infraestrutura foi danificada por ataques russos e que está em reparo.

As principais lideranças europeias, incluindo a chefe da diplomacia, Kaja Kallas, se manifestaram contra o veto. Kallas disse que nenhum Estado-membro pode ser autorizado a minar a credibilidade das decisões tomadas coletivamente pelo Conselho Europeu. Está prevista uma reunião de emergência sobre o assunto para esta quarta-feira.

Eslováquia suspende eletricidade de emergência

Em outro desdobramento da crise, a Eslováquia anunciou a interrupção do fornecimento de eletricidade de emergência à Ucrânia. O primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, justificou a medida devido à disputa sobre o oleoduto e afirmou que a ajuda só será retomada quando o fluxo de petróleo for restaurado.

Essa decisão ocorre em um período crítico: é inverno na Europa, e o acesso à rede de energia é essencial para que a população ucraniana se aqueça. Com as baixas temperaturas e os constantes ataques russos à infraestrutura, este já é considerado o pior inverno da história da Ucrânia.

O apoio financeiro da União Europeia se tornou ainda mais crucial diante da redução de recursos diretos dos Estados Unidos. Desde o início da guerra, o bloco europeu forneceu € 195 bilhões em assistência à Ucrânia.

O novo pacote de € 90 bilhões não resolve todos os problemas, mas cria a base para a estabilidade financeira da Ucrânia, enquanto os Estados Unidos não fornecem mais recursos financeiros diretos a Kiev. Mesmo assim, os norte-americanos continuam essenciais no compartilhamento de informações e na venda de certos tipos de armamentos, inclusive para a Europa.

Fonte: metropoles.com/RFI

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