Voto remoto de bolsonarista fulmina justificativa de petista para fugir da votação da taxa do lixo

Agenda fora da Câmara de Vereadores não impediu Tavares de votar no projeto do novo Prodes, enquanto Landmark não teve a mesma atitude no veto ao aumento da taxa do lixo. (Foto: Reprodução/Instagram)

A votação do projeto de lei que promove ajustes na legislação do Prodes (Programa de Incentivos para o Desenvolvimento Econômico e Social) mostrou que a derrubada do aumento abusivo da taxa do lixo poderia facilmente ter sido vencedora. Bastava um dos seis vereadores faltosos votar de forma remota.

Para atingir a rara unanimidade com voto favorável dos 28 vereadores de Campo Grande, Rafael Tavares (PL) conseguiu registrar seu posicionamento a favor do novo Prodes mesmo não estando no plenário da Câmara Municipal na sessão desta quinta-feira (19). A atitude do bolsonarista fulmina a justificativa de Landmark Rios (PT), que estava cumprindo agenda em Brasília quando foi votado o veto ao aumento da taxa do lixo que resultou no tarifaço de 396% no IPTU 2026, mas poderia participar mesmo assim.

Apesar de seis parlamentares terem lavado as mãos para a vontade do povo, a conta acabou caindo nas costas de Landmark porque os demais vereadores petistas, Jean Ferreira e Luiza Ribeira, votaram pela derrubada do veto, faltando apenas um para atingir os 15 necessários. Além da bancada ser a principal oposição à prefeita Adriane Lopes (PP).

A situação de Landmark ficou ainda pior com a representação de Ido Luiz Michels, chefe de gabinete do deputado federal e presidente regional do PT, Vander Loubet, contra o correligionário ao conselho de ética do Partido dos Trabalhadores.

Michels disse que a ausência do vereador petista na votação do veto à taxa do lixo deixou um “gosto amargo” e teria sido uma demonstração de que o correligionário priorizou seus interesses políticos junto ao Poder Executivo em detrimento à defesa da população.

O assessor de Vander também relatou que Jean e Luiza tentaram contato com o colega, durante a votação, mas sem sucesso, e que a votação remota não levaria muito tempo.

Um exemplo disso foi o voto de Rafael Tavares nesta quinta-feira. O bolsonarista participava da finalização de um projeto social no Jardim Noroeste, mas tirou alguns minutos para votar remotamente a favor do novo Prodes.

Tavares disse que não fez nada de mais, já que a votação remota é permitida pela Mesa Diretora e foi utilizada em ocasiões anteriores por outros parlamentares. Na votação da taxa do lixo, os três vereadores do PL votaram para derrubar o veto de Adriane Lopes, incluindo André Salineiro e Ana Portela.

O presidente da Câmara, vereador Epaminondas Vicente Neto, o Papy (PSDB), explicou que o voto remoto é permitido desde a pandemia, que teve início em 2020. 

“Nosso sistema de votação permite computar votos de forma remota, desde que o vereador entre on-line e declare o voto”, informa Papy. “O vereador precisa solicitar a participação on-line, registrar presença e declarar o voto”.

Perseguição 

Em nota, Landmark se defendeu das acusações, dizendo em tom de perseguição que o caso foi isolado e tentam “desgastar sua imagem”, diante da proximidade com as eleições de outubro. O parlamentar quer concorrer a deputado estadual e afirma que seu nome tem sido ventilado para uma eventual pré-candidatura.

“Não é coincidência que tentem desgastar justamente quem tem trabalho, presença nas bases e reconhecimento popular. Quem não tem a mesma força política muitas vezes recorre a esse tipo de movimento para tentar enfraquecer quem construiu espaço com atuação concreta”, diz a nota, que em nenhum momento reforça a justificativa da ausência.

Confira a íntegra da nota de Landmark Rios

Há, sim, uma tentativa clara de desgastar a minha imagem dentro do partido. Estão pegando um fato isolado dentro de toda a minha trajetória política para tentar arranhar a minha história e descredibilizar um mandato que sempre foi coerente, combativo e alinhado às pautas do PT.

Estamos às vésperas de um pleito importante. Não é segredo para ninguém que meu nome vem sendo ventilado para uma eventual pré-candidatura. Também não é segredo que, nas últimas pesquisas, tenho sido lembrado para deputado estadual em Mato Grosso do Sul. Em 2025, fui um dos parlamentares mais atuantes da Câmara Municipal de Campo Grande e o vereador que mais apresentou emendas ao orçamento, buscando recursos e melhorias concretas para a cidade.

Sempre votei alinhado à Executiva Estadual, ao Diretório Municipal e à bancada do PT na Câmara. Nunca me furtei de defender as ideias do partido, a dignidade do nosso campo político e o respeito aos meus colegas de bancada. Da mesma forma, sempre fui compreensivo quando houve divergências internas. Divergência faz parte da democracia. Ataque pessoal não.

Fui linha de frente na oposição ao Executivo Municipal. Reforcei denúncias sobre possíveis irregularidades na saúde, encaminhei ofício ao DenaSUS solicitando auditoria, cobrei transparência, defendi a abertura da chamada “caixa-preta” da saúde pública. Apresentei projetos como o Ar no Busão, atuei firmemente na defesa da agricultura familiar, da reforma agrária e dos direitos das comunidades invisibilizadas, pautas históricas do nosso partido.

Não é coincidência que tentem desgastar justamente quem tem trabalho, presença nas bases e reconhecimento popular. Quem não tem a mesma força política muitas vezes recorre a esse tipo de movimento para tentar enfraquecer quem construiu espaço com atuação concreta.

Eu sigo tranquilo. Confio na minha trajetória, no nosso mandato e na consciência de que sempre estivemos ao lado do povo de Campo Grande. Nosso foco permanece onde sempre esteve: trabalhar, buscar soluções e honrar cada voto que recebi. O tempo e os fatos colocam cada coisa no seu lugar.

Fonte: ojacare.com.br/By Richelieu de Carlo

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