Quem ganha Auxílio Brasil vota menos em Bolsonaro que a média

Pesquisa PoderData realizada de 8 a 10 de maio de 2022 mostra que quase metade (48%) dos beneficiários do programa Auxílio Brasil –substituto do Bolsa Família– declaram voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no 1º turno das eleições de 2022. Nesse recorte, Jair Bolsonaro (PL) tem 29% das intenções.

O desempenho do atual chefe do Executivo no segmento é inferior se comparado ao total da população –em que Bolsonaro tem 35% dos votos, e Lula, 42%

O Auxílio Brasil é uma das principais apostas de Bolsonaro para reduzir sua rejeição entre os mais pobres –principalmente no Norte e Nordeste. Em 12 dos 16 Estados dessas regiões há mais beneficiários do programa social do que trabalhadores com Carteira de trabalho assinada –o que exclui setor público.

Somados, Ciro Gomes (PDT), João Doria (PSDB), André Janones (Avante) e Simone Tebet (MDB) têm hoje 11% dos votos daqueles contemplados pelo programa. Brancos e nulos são 6%, e 4% não souberam responder.  

No grupo de eleitores que não recebem o auxílio, Bolsonaro marca 39%. Lula tem 37%. Os 2 pré-candidatos estão tecnicamente empatados. A margem de erro geral da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Para chegar ao resultado, o PoderData cruzou os dados das seguintes perguntas: “Você ou alguém da sua família recebeu no último mês algum pagamento do Auxílio Brasil, a nova versão do programa Bolsa Família?” e “Se a eleição fosse hoje, em qual dos candidatos você votaria?”.

A pesquisa foi realizada pelo PoderData, empresa do grupo Poder360 Jornalismo, com recursos próprios. Os dados foram coletados de 8 a 10 de maio de 2022, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 3.000 entrevistas em 288 municípios nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. O intervalo de confiança é de 95%. O registro no TSE é BR-08423/2022.

Para chegar a 3.000 entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) os grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, são mais de 100 mil ligações até que sejam encontrados os entrevistados que representem de forma fiel o conjunto da população. Saiba mais sobre a metodologia lendo este texto.

Em 4 de maio, o Congresso Nacional aprovou a medida provisória que estabeleceu um piso mínimo de R$ 400 por mês para o Auxílio Brasil. A lei ainda precisa ser sancionada por Bolsonaro. A previsão é de um custo anual de R$ 41 bilhões por ano aos cofres do governo de 2022 a 2024.

O valor mínimo distribuído pelo programa é mais que o dobro do teto do Bolsa Família (que pagava até R$ 190 quando foi encerrado em outubro de 2021). Em abril de 2022, o Auxílio Brasil beneficiou mais de 18 milhões de famílias, com um valor médio de R$ 409,82, segundo dados do Ministério da Cidadania. 

CENÁRIO NO 1º TURNO 

Lula (PT) tem 42% das intenções de voto no 1º turno. Bolsonaro, 35%. A distância entre eles é de 7 pontos percentuais. Nas rodadas de 24 a 26 de abril e de 10 a 12 de abril, essa diferença se manteve em 5 p.p

O ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT) vem na sequência, com 5% das intenções. Está empatado tecnicamente com João Doria (PSDB), que tem 4%; André Janones (Avante), com 3%; e Simone Tebet (MDB), 2%. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Eymael (DC), Leonardo Péricles (UP), Luciano Bivar (União Brasil), Luiz Felipe D’Ávila (Novo), Pablo Marçal (Pros), Sofia Manzano (PCB) e Vera Lúcia (PSTU) não tiveram menções suficientes para chegar a 1%.

Lula tem 49% entre os que recebem até 2 salários mínimos por mês, contra 28% de Bolsonaro. Esse estrato corresponde a quase metade da população (46%). Numa disputa presidencial, quem vence entre os mais pobres dá um passo enorme para a vitória.

O atual presidente, no entanto, se sai melhor entre os que ganham de 2 a 5 salários mínimos (41%) e mais de 5 salários (40%). Esses grupos representam 54% do eleitorado, mas a vantagem de Bolsonaro não é suficiente para impulsionar seus percentuais no quadro geral.

Leia a estratificação por sexo, idade, nível de instrução e renda:

Fonte: Poder360

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