Offshore põe Paulo Guedes no centro da agenda política da semana

A agenda política da semana que se inicia tem um foco: Paulo Roberto Nunes Guedes. O ministro da Economia foi convocado para explicar à Câmara dos Deputados a offshore que mantém em paraíso fiscal.

Ainda não há data marcada para o depoimento aos deputados. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), deve tomar uma decisão na 3ª feira (12.out.2021), quando chega a Brasília depois de viagem à Itália. A ida de Guedes à Casa pode ficar para a 2ª quinzena de outubro.

Com a indefinição, o ministro preserva o plano de ir a Washington para reunião anual do FMI (Fundo Monetário Internacional), de 11 a 14 de outubro. Não bateu o martelo sobre o dia que embarca.

Na 6ª feira (8.out.2021), a gestora da offshore divulgou um papel em que informa que o ministro deixou o quadro de diretores da firma em dezembro de 2018. Ainda não foi explicado:

  • Se Guedes continuou como sócio;
  • Se a filha e/ou a mulher (ambas no comando da offshore) do ministro fizeram investimentos depois de ele assumir o cargo mais importante da economia do país.

O peso do depoimento para o futuro do único “superministro” de Bolsonaro não pode ser menosprezado. Em 1998, o poderoso chefe das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, pediu demissão a FHC depois de ser pressionado em audiência no Senado.

Guedes não recebeu apoio público do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) desde a publicação da reportagem do Poder360 e do ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos) sobre a existência da offshore.

Foi alvo de protestos em frente ao Ministério da Economia e personagem de cartazes com críticas espalhados na Avenida Faria Lima, centro do mercado financeiro em São Paulo.

No fim de semana, ele foi alvo de fogo amigo. O ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, reclamou publicamente do corte de despesas em sua área de atuação.

O Poder360 apurou que nenhum ministro ficará triste se Guedes cair. No Congresso, haverá comemoração.

Parte significativa da Faria Lima acha que tudo bem –e ficará feliz– se o substituto for Roberto Campos Neto ou Gustavo Montezano.

O 1º é presidente do Banco Central e também teve uma offshore descoberta na investigação jornalística. Ele diz que não fez nenhum investimento na empresa durante sua gestão no BC. Montezano preside o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

O presidente da República deve ir a Miracatu (SP), no Vale do Ribeira, para a entrega de 250 títulos de terras regularizadas, na 4ª feira (13.out).

Não há confirmação do Planalto sobre eventual visita no dia anterior a Aparecida (SP), que deve receber cerca de 60.000 pessoas para a celebração do Dia de Nossa Senhora Aparecida.

Câmara

Outro tema econômico e politicamente sensível pode ter desdobramentos nesta semana: o ICMS dos combustíveis.

Arthur Lira quer mudar o cálculo do valor sobre o qual incide o imposto. Seria uma média nacional dos preços dos 2 anos anteriores em vez da média estadual de 15 dias em vigor.

Ainda não foi divulgado o relatório da proposta. Pode haver novidades nesta 2ª feira (11.out.2021).

Lira ficará pouco em Brasília nesta semana encurtada pelo feriado de Nossa Senhora Aparecida. Chega na 3ª e, na 5ª, deve ir a São Paulo. Há chance de faltar tempo para finalizar a articulação.

Os governadores pressionam contra. Se o projeto passar pela Câmara, enfrentará maior resistência no Senado. A ideia faria os Estados arrecadarem menos do que poderiam.

No fim de semana, Bolsonaro disse: “O Arthur Lira está nos ajudando, tem um projeto nesse sentido para regulamentar uma emenda constitucional de 2001. Parece que não teremos sucesso”.

CPI da Covid

O relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), promete concluir o parecer sobre a investigação na 6ª feira (15.out.2021).

O texto deve ser duro com o governo. A CPI causou momentos de desgaste para o Executivo ao longo de seus trabalhos.

Na véspera, a ANS (Agência Nacional de Saúde) intervém na Prevent Senior, operadora acusada de forçar os médicos a ministrar medicamentos sem efeitos em pacientes e de antecipar o tratamento paliativo.

Fonte: Poder360

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