Deputados acusam Guedes de sonegar impostos e informações sobre offshore

Deputados da oposição, que participaram da audiência do ministro da Economia, Paulo Guedes, em duas comissões da Câmara nesta terça-feira 23 não saíram satisfeitos com as declarações do titular da pasta sobre suas movimentações financeiras no exterior, por meio de offshore, em paraíso fiscal.

Para a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS), as respostas foram “evasivas e demagógicas”.

“Ele [Guedes] chegou quase a dizer que tinha offshore por causa da tributação. É cara de pau um ministro dizer que põe dinheiro em paraíso fiscal porque não é tributado conforme a lei do país em que ele é a autoridade máxima da economia”, afirmou.

“Ele disse também que não é mais dono nem sócio majoritário da offshore, mas não declarou se a sócia é a filha ou a esposa. Enrolou e não respondeu. Além de ser ilegal, porque o Código de Ética da Administração Pública diz que não se pode ser responsável pela política governamental e ter interesses próprios, é indecente e imoral.”, acrescentou.

Já o deputado Rogério Correia (PT-MG), durante a sessão, chegou a dizer que o ministro foi “pego com a boca na botija sonegando impostos”.

“O essencial ele não respondeu. Por que ele colocou essa conta lá e a manteve lá depois que assumiu como ministro?  Ele não respondeu sobre os impostos que ele não paga e não se dispôs a entregar as documentações. Ficou claro que ele tem algo a esconder e está usufruindo das políticas que ele próprio dita”, disse o parlamentar a CartaCapital.

Durante a audiência, o deputado Elias Vaz (PSB-GO), um dos responsáveis pela convocação, acusou  Guedes de ter um fundo em que ganhou quase 400 mil reais por mês do início do governo até o dia 30 de junho.

“Essa informação faz o ministro cair no ridículo. Quem é que mantém um investimento e não liga para o que está acontecendo, não busca saber se está sendo lucrativo ou não? Ou será que ele pra ele um lucro de 400 mil por mês não faz diferença? Claramente, o ministro está escondendo um fundo milionário que, na minha opinião, tem conflito de interesse com o cargo que ele ocupa”, afirmou.

A oposição também diz que o ministro fez lobby para que se tirasse do texto original da Reforma Tributária o artigo que pedia a tributação de offshores.

Guedes, por sua vez, negou que tenha usado suas empresas no exterior para especular com a alta do dólar. No depoimento às comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público e de Fiscalização Financeira e Controle, ele admitiu que a criação da offshore foi para que seus investimentos pudessem ser transmitidos a herdeiros em caso de alguma fatalidade e para evitar que o governo dos Estados Unidos “expropriasse” de 46% a 47% do valor.

O ministro também disse ainda que não seria necessário declarar se sua esposa ou filha estavam na offshore, que seria uma “obviedade”.

“A offshore é como uma ferramenta. É uma faca. Você pode usar para o mal, para matar alguém, ou pode usar para o bem, para descascar uma laranja”, declarou.

Fonte: Carta Capital

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