9 Estados e DF decidiram reduzir intervalo entre doses de vacinas anticovid

Levantamento do Poder360 mostra que 9 Estados e o Distrito Federal decidiram reduzir ou já reduziram o intervalo entre doses das vacinas contra a covid-19 da Pfizer e da AstraZeneca. São eles: Acre, Espírito Santo, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

As gestões estaduais têm adotado essa medida como tentativa de acelerar a imunização da população e conter o avanço da variante delta, que já foi responsável por 169 casos de infecção pelo novo coronavírus, segundo balanço divulgado na 2ª feira (26.jul.2021) pelo Ministério da Saúde.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, declarou na 2ª feira (26.jul) que o órgão estuda a possibilidade de reduzir o intervalo atual de 90 dias entre as duas doses da Pfizer para 21 dias. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, ele disse que o intervalo de 3 semanas está previsto em bula, e o ministério decidiu ampliar para 12 semanas (3 meses) como estratégia para imunizar mais pessoas com a 1ª dose.

Procurado pelo Poder360, o Ministério da Saúde afirma estar “atento à possibilidade de alterações no intervalo recomendado”, mas ainda não emitiu novo parecer nesse sentido.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, aponta que a aplicação da 2ª dose do imunizante da Pfizer deve ser feita com intervalo de 8 semanas depois da 1ª dose.

Esse intervalo mais longo foi relacionado a níveis de anticorpos neutralizantes 2 vezes mais altos, considerando todas as variantes do novo coronavírus, inclusive a delta. Eis a íntegra da pesquisa (336 KB).

Os Estados que ainda mantêm o intervalo recomendado são Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte, Sergipe, São Paulo e Tocantins. O Poder360 não recebeu resposta da secretaria de Saúde do Amapá. Se enviada, será incluída nesta reportagem.

Mato Grosso do Sul chegou a anunciar a antecipação, mas voltou atrás. Na 6ª feira (23.jul.2021), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse que o Estado ainda pode diminuir o intervalo, desde que haja imunizantes suficientes.

Se tivermos mais vacina da Pfizer e da AstraZeneca será possível, especialmente no caso da Pfizer, antecipar esse prazo de 90 dias entre a 1ª e a 2ª dose para um prazo mais curto”, disse. “É possível e é recomendado.”

No caso do imunizante da AstraZeneca, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) já recomendou que o intervalo de 12 semanas seja mantido. Segundo a fundação, esse período entre as duas doses considera dados que demonstram “uma proteção significativa” a partir da 1ª dose e “a produção de uma resposta imunológica ainda mais robusta”. 

Sociedades médicas também defendem que o intervalo mais longo seja observado. Em nota, a SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) e a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) afirmam que o intervalo de 12 semanas permite alcançar mais rapidamente uma proporção maior da população com pelo menos uma dose.

Para muitas vacinas, de maneira geral, intervalos maiores entre doses oferecem respostas imunes mais robustas após a segunda dose, o que, em princípio, pode se traduzir, inclusive, em respostas protetoras mais duradouras”, diz o texto. Eis a íntegra do documento (415 KB).

A análise do pesquisador Bruno Filardi, diretor científico do Instituto do Câncer Brasil, vai na mesma linha. Segundo ele, não há “respaldo científico” que justifique a antecipação da 2ª dose.

Fazer anticorpos bons leva tempo. É necessário um processo complexo de aumento de afinidade que demora alguns meses. Após esses 3 ou 4 meses teremos maior quantidade e qualidade de anticorpos. Se aguardarmos o tempo necessário, a 2ª dose de vacina vai estimular a produção de mais anticorpos e melhores”, diz o especialista.

Ele alerta ainda que, se aplicada muito cedo, o efeito da 2ª dose pode ser “limitado”.

Fonte: Poder360

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