Lava Jato: ex-deputado Aníbal Gomes é denunciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro

A força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal (MPF) no Paraná apresentou denúncia nesta quarta-feira, 27 de novembro, contra o ex-deputado Aníbal Gomes e o então assessor Luis Carlos Batista Sá pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, cometidos a partir de 2006.

Atualmente suplente pelo DEM, Gomes não está em exercício. Na época dos crimes, era deputado federal pelo PMDB e as provas apontam que usou sua influência para sustentar politicamente a permanência de Nestor Cerveró à frente da Diretoria Internacional da Petrobras. Por intermédio de Cerveró, solicitou e aceitou vantagem indevida no valor de US$ 6 milhões, dos quais efetivamente ao menos US$ 3.686.869,21 foram pagos por Julio Gerin de Almeida Camargo, representante da Samsung Heavy Industries. A “comissão” foi oferecida por Cerveró e acertada durante as negociações do contrato para a construção do navio-sonda Petrobras 10.000.

Para gerir os valores recebidos e ocultar sua origem ilícita, as evidências indicam que Gomes contou com a ajuda do então assessor parlamentar Luis Carlos Batista Sá. De acordo com as investigações, foram realizadas diversas operações financeiras de 15 de setembro de 2006 a 7 de novembro de 2007, no Brasil e na Suíça. No país europeu, foram utilizadas contas mantidas em instituições financeiras em nome das offshores Headliner Limited e Gallpert Co que, de fato, pertencem a Walter Faria, empresário do ramo cervejeiro já denunciado no âmbito da operação Lava Jato. No total, foram 12 pagamentos que somaram US$ 3.686.869,21.

Pelos crimes verificados nas investigações. a força-tarefa requer, além da condenação, o perdimento do produto e do proveito dos crimes no montante de US$ 3.686.869,21, convertidos em reais, e fixação de uma multa mínima de US$ 6 milhões, relativa à vantagem indevida solicitada como contrapartida ao apoio político a Cerveró.

“A denúncia contra Aníbal Gomes vem baseada não apenas nos depoimentos de colaboradores, mas em provas documentais apreendidas em poder de seu assessor, também denunciado, que trazem a contabilidade da propina e indicativos de que o ex-deputado, de fato, beneficiou-se de dinheiro desviado da Petrobras”, afirma o procurador da República Alexandre Jabur, integrante da força-tarefa Lava Jato no Paraná. “Dessa forma, fica claro que a propina paga a Cerveró tinha como destino não apenas empregados da Petrobras , mas também agentes políticos que davam guarida ao esquema.”


Ação penal nº 5073841-76.2019.404-7000

Íntegra da denúncia


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Lava Jato – Acompanhe todas as informações oficiais do MPF sobre a Operação Lava Jato no site www.mpf.mp.br/grandes-casos/lava-jato.

Assessoria de Comunicação
Ministério Público Federal no Paraná

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