Com exceção de Vander, deputados aderem ao INSS para ter moral para votar reforma

Cinco dos oito deputados federais de Mato Grosso do Sul rejeitaram o Plano de Seguridade Social do Congressista (PSSC), que lhes daria o direito à aposentadoria especial e optaram pelo teto do INSS (Instituto Nacional de Seguro Social). Fábio Trad (PSD) aderiu, mas teria desistido do privilégio. O único que mantém o plano especial é Vander Loubet (PT), que já tem direito a receber benefício três vezes acima do teto do regime geral.

Ao abrir mão do regime especial e optar pelo benefício pago pelo INSS, que paga no máximo R$ 5.839,45 de aposentadoria, os parlamentares esperam ganhar moral para votar a polêmica Reforma da Previdência proposta pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Considerada necessária para reduzir o famoso déficit, a reforma é considerada essencial pelos especialistas. A polêmica está na extensão da maldade e na manutenção de alguns privilégios, como os pagos aos militares. Pobres doentes, idosos e deficientes terão o benefício reduzido em mais de 50%, de R$ 998 para R$ 400.

Só que alguns deputados preferem manter os próprios privilégios. De acordo com o jornal Gazeta do Povo, Fábio Trad e Vander foram os únicos de MS a aderir ao plano de previdência especial do Congresso, que lhes garante a aposentadoria acima do teto do INSS e que pode chegar a R$ 33.763 em 35 anos. Com seis anos de mandato, o parlamentar já receberia aposentadoria acima do teto do INS.

De acordo com a assessoria, Fábio assinou documento desistindo da aposentadoria especial e aderindo ao regime geral. Não é a primeira vez que o parlamentar desiste de um benefício. No início do ano, após a repercussão do pagamento do auxílio mudança, pago no início e no final do mandato, ele devolveu o dinheiro.

Contra a reforma da previdência por prejudicar os mais pobres, Vander mantém o privilégio para si. Ele contou que aderiu ao PSSC desde o primeiro mandato em 2003 e contribui com 11% sobre o salário de R$ 33.763.

Como já contribui há 16 anos, o petista teria direito a aposentadoria mensal de R$ 15.434,40, 164% acima do valor máximo a ser pago ao trabalhador brasileiro comum. Caso não perca o mandato antes, já que é réu na Operação Lava Jato, o petista tem garantido benefício R$ 19.293 em 2023.

Já Dagoberto Nogueira (PDT), que adota a mesma linha de votar contra a proposta da reforma, não aderiu à aposentadoria especial. “O Bolsonaro vem fazendo propaganda enganosa, falando que cortou privilégios, mas na verdade ele prejudicou aqueles que realmente contribuem e necessitam. E os verdadeiros privilégios que deveriam ser cortados, esses não serão afetados”, criticou.

Estreante na política, Loester Trutis (PSL) teria o direito à aposentadoria especial, mas não aderiu para dar o exemplo. “É a velha frase do nosso presidente, que a palavra convence, o exemplo arrasta”, afirmou.

Favorável à proposta de Bolsonaro, o deputado diz ter esperanças de que um dia a reforma da previdência chegue ao Poder Judiciário. Magistrados recebem até mais de R$ 100 mil em salário e ainda se aposentam com proventos integrais em caso de condenação por corrupção.

Luiz Ovando (PSL) não aderiu porque tem outro plano de previdência e já é aposentado. Estreante na política como companheiro de partido, ele defende a aprovação na integra da proposta da previdência encaminhada pelo Governo.

Dos três deputados federais do PSDB, dois informaram que não aderiram ao PSSC. “Não aderi porque seria injusto usar uma prerrogativa legal que dá benefícios aos parlamentares, enquanto a maior parte da população não tem esse direito que, no fim das contas, é pago pelo cidadão”, justificou Rose Modesto (PSDB).

Dona de uma carreira política meteórica, ela foi vereadora, vice-governadora do Estado e deputada federal mais votada no ano passado, a parlamentar defende mudanças na proposta da reforma da previdência. Rose é contra a proposta de Bolsonaro para os professores, aposentadoria rural e BPC, que reduz o valor do benefício pago a idosos, doentes e deficientes pobres de R$ 998 para R$ 400.

Beto Pereira (PSDB) diz que sempre contribuiu com o INSS, desde quando foi prefeito de Terenos por dois mandatos. Ele não quis se manifestar sobre como pretende votar a reforma da previdência.

Já Bia Cavassa (PSDB) foi procurada, mas não informou se aderiu ou não à aposentadoria especial dos deputados. Ela é suplente e assumiu graças à cassação da candidatura de Alcides Bernal (PP) e à nomeação de Geraldo Resende para a Secretaria Estadual de Saúde.

A primeira votação da reforma ocorreu na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Fábio Trad foi o primeiro deputado de MS a aprová-la.

(Por: O Jacaré)

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